Economia de casino

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Durante muito tempo foi possível obter financiamento para as empresas públicas, associando esses empréstimos a jogos de sorte e azar. Por serem como os jogos de casino, as empresas públicas envolveram-se em negócios em que, no fim, ganha sempre o casino. A gestão de risco, em que as empresas procuram ganhar um pouquinho se houver subida da taxa de juros, tem gerado perdas de milhões porque os juros desceram como nunca se pensou ser possível.

Quando o país descobriu que havia um instrumento de gestão de risco financeiro (veja-se bem a definição pomposa) chamado swap, ficou a saber que havia milhares de milhões de euros que estavam "seguros" com este instrumento, ao mesmo tempo que nos diziam que as perdas potenciais eram superiores a mil milhões de euros. Hoje já não se fazem negócios destes nas empresas públicas, mas elas ainda têm 2,5 mil milhões em instrumentos de risco.

Esta economia, com estes produtos derivados, é uma economia ao serviço da especulação, longe de cumprir o seu papel equilibrador na sociedade. Ainda assim, percebe-se que no sistema financeiro alguém tenha inventado estes derivados, o que nunca foi fácil de entender é que alguém a gerir a coisa pública tenha apostado com o dinheiro dos contribuintes. Economia de casino é má, mas pode existir entre privados, nunca com dinheiros públicos.

No momento em que, por cá como em muitos outros países, se gastam milhares de milhões dos contribuintes para salvar bancos, é preciso que os poderes públicos imponham regras que impeçam esta dura realidade. Prejuízos públicos e lucros privados é que permitem a ascensão de todos os populismos. Os donos do casino não são os eleitos do povo, são os que especulam, escondem o dinheiro em offshores e nunca estão saciados.

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