A Filarmónica de Minas Gerais foi criada em 2008. Como é que tem sido o vosso percurso desde aí? E que trabalho têm vindo a fazer?.A orquestra foi criada com o objetivo de construir em Minas Gerais mais uma orquestra de qualidade, de excelência. Uma orquestra que desde o princípio, na seleção dos músicos, na seleção do repertório, na seleção do próprio regulamento da orquestra, buscamos sempre a excelência, fazer uma peça de qualidade, abrangendo o repertório mais amplo possível. Veja que com quase 15 anos de existência, já executamos quase mil obras sinfónicas. E esse trabalho é um trabalho que tem tido muito apoio aqui da sociedade mineira e agora estamos divulgando também esse trabalho na Europa, nessa semana que vamos passar em Portugal..Esta digressão faz parte da celebração do bicentenário da independência do Brasil. Como é que se sentem a comemorar esta data com uma digressão por Portugal, além de ser a vossa primeira digressão europeia?.Calhou a oportunidade e nós depois da pandemia quisemos retomar essa questão de tournées e de viagens, então existia essa ansiedade nossa de poder fazer isso, depois de dois anos praticamente sem tocarmos fora e com a efeméride que é a celebração do bicentenário da independência do Brasil, com um repertório que une os dois países. São compositores brasileiros e portugueses. Nós temos muitas coisas em comum além da língua, da história, a própria estética musical e artística em geral, se baseiam muito uma na outra. Então nós achámos que era uma oportunidade interessante de levarmos a orquestra, nesse momento especial para nós brasileiros e compartilharmos isso com vocês portugueses..Citaçãocitacao"Com quase 15 anos de existência, já executamos quase mil obras sinfónicas"..O que é que o público pode esperar destes quatro concertos (três em sala e um aberto ao público)em Portugal?.Nos três concertos fechados, que são em salas fechadas, o repertório são duas obras de Villa-Lobos, duas obras de Carlos Gomes, que é um compositor brasileiro do século XIX, e uma obra de Braga Santos, compositor português. É um programa muito diverso, muito bonito, com a participação do Jean-Louis Steuerman, um pianista brasileiro muito conceituado nacionalmente. Espero que o público primeiramente aprecie a música, é uma música rica, que tem conexões com o seu folclore, a sua música popular, a sua música de raiz, e ao mesmo tempo veja que é uma orquestra que apesar de ter 14 anos espero que fique surpreendido com a qualidade, com a postura, com o profissionalismo que nós esperamos mostrar em Portugal..Como é que pode a música sinfónica ser um elo de ligação entre Portugal e o Brasil?.Eu acho que por exemplo a seleção da obra de Braga Santos, eu vejo como uma conexão muito íntima com a obra de Villa-Lobos. Villa-Lobos se baseou muito, por exemplo, no folclore brasileiro, nas canções brasileiras, nos ritmos brasileiros, como fonte de inspiração para as obras que ele escreveu para orquestra. E o Braga Santos também. A abertura que vamos tocar, a Abertura nº3, ele também se utiliza de um tema do Alentejo, um tema canção popular, então existe uma conexão estética entre os dois compositores. A intenção principal é mostrar ao público a diversidade, a beleza dessa música que é tão rica e tão carregada de sentimentos brasileiros e portugueses..Como é que pode este momento estar marcado na música que vão apresentar aqui?.Eu acho que a questão do bicentenário é importante justamente para mostrar essa relação histórica que nós temos entre Brasil e Portugal. Uma relação, embora o Brasil se tenha tornado independente de Portugal, nós sempre continuamos muito próximos, muito amigos, muito unidos pela língua, pela cultura e a música representa isso nessa linguagem universal que ela traz. Então acho que é uma oportunidade de escutarmos as músicas como elas são e ao mesmo tempo ver essa relação íntima que existe entre as nossas culturas, isso é sempre importante..Datas das apresentações:.6 de setembro - Casa da Música no Porto.7 de setembro - Concerto ao ar livre no Jardim da Torre de Belém, em Lisboa, no âmbito da programação do festival "Lisboa na Rua", organizado pela Câmara Municipal de Lisboa.8 de setembro - Centro Cultural de Belém em Lisboa.9 de setembro - Convento São Francisco em Coimbra