É só vontade

Já garantiu a si mesmo que vai deixar de fumar? Fez essa promessa muitas vezes? E tentou mesmo deixar o vício? Precisou de ajuda? Não conseguiu? Se abandonar o consumo é mesmo a sua vontade, informe-se sobre as consultas e as ajudas disponíveis junto do seu centro de saúde ou com o seu médico de família. <br />
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Se todos os fumadores que manifestam o desejo de deixar de o ser concretizassem o sonho, diminuía o número de mortes causadas directa ou indirectamente pelo tabaco. E aumentava o número de pessoas que viviam mais anos e com melhor qualidade de vida porque a cessação tabágica diminui o risco de desenvolvimento de cancro do pulmão, da boca, da faringe, da laringe, entre outros. Certa de que o consumo de tabaco é uma «epidemia global» e «uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou», a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem desafiado os Estados a oferecerem aos cidadãos um «pacote de medidas» informativas e de apoio a todas as pessoas que ambicionem deixar o vício.

É o último
Todos sabemos que a maioria dos fumadores reconhecem que o tabaco faz mal à saúde e conhecem bem os riscos associados ao seu consumo, mas também percebemos que, como noutras dependências, os fumadores acabam por arranjar desculpas para acender só mais um cigarro. É sempre o último...
Talvez por isso Luís Rebelo, coordenador das consultas intensivas de cessação tabágica da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, refira que «a dependência de nicotina deve ser encarada com muito respeito. Ajudar os doentes a deixarem de fumar é tão importante como a prevenção primária». Todavia, o professor esclarece que «as consultas estão especialmente direccionadas para as pessoas que fumam vinte ou mais cigarros por dia, para as que já sofrem doenças relacionadas com o tabaco, para as que pensam deixar de fumar no próximo mês, para as que fumam o primeiro cigarro do dia até trinta minutos após o acordar,  para aquelas que já tentaram mas não conseguiram e para as que deixaram de fumar mas apresentam síndroma de privação intenso».

Parar de vez
Os métodos terapêuticos usados nas consultas de cessação tabágica variam de doente para doente mas, além da medicação, «recorre-se a técnicas de mudança comportamental e de treino de competências que permitirão que as pessoas mudem o comportamento de fumadores para não fumadores. Quanto aos medicamentos, também estão disponíveis e de vários tipos.»
Além dos fármacos e dos apoios do médico assistente e de outros especialistas, é muito importante que o doente possa contar com a ajuda de amigos e de familiares. Afinal, é da vontade inequívoca em deixar de fumar e deste conjunto de factores que depende o sucesso dos tratamentos.

Vale a pena
A  tosse de fumador desaparece, as constipações passam mais depressa, respira melhor e tem menos dificuldade em executar actividades físicas como correr, nadar ou subir escadas. A pele fica com melhor aspecto e os dentes, ainda que manchados, podem ser branqueados.

Porque vicia
O tabaco provém da planta Nicotina tabacum e é uma substância estimulante. Podemos encontrá-lo em forma de charuto, cigarro, cachimbo, rapé e tabaco de mascar. Agora é principalmente fumado, mas pode também ser inalado ou mastigado. A nicotina, o alcalóide da planta do tabaco, é uma das drogas que mais dependência provocam. Quando chega ao sistema nervoso central actua como um agonista do receptor nicotínico da acetilcolina. Possui propriedades de reforço positivo e viciantes devido à activação da via dopaminérgica mesolímbica. Aumenta também as concentrações de adrenalina, noradrenalina, vasopresina, beta-endorfinas e cortisol, que parecem influir nos seus efeitos estimulantes. O seu consumo vicia. Mas como os seus malefícios são piores, quem quer parar debate-se com a chamada síndrome de abstinência. «Traduz-se por intranquilidade ou excitação, aumento da tosse e da expectoração, impaciência, irritabilidade, depressão, ansiedade e agressividade, má disposição, dificuldade de concentração, etc.». Peça ajuda!
Mais informação em www.idt.pt.

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