E Setúbal pôs a sardinhada nas bocas do mundo

Foi um sucesso a megassardinhada. Os assadores não tiveram mãos a medir para satisfazer a multidão que acorreu à iniciativa que constitui novo recorde mundial com 6340 quilos
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"Já comi seis sardinhas, mas ainda vão mais umas quantas. É para o recorde, temos de pôr o mundo a falar de Setúbal." O mote era dado por José Guilherme, que transpirava por todos os poros, mas não desarmava. Ao fim de duas horas sobre o toque da sirene que abriu a corrida sadina ao Guinness Book of Records, José e o seu grupo orgulhavam-se de terem ingerido cerca de cinco quilos de sardinhas, dando um contributo de peso rumo à fasquia das seis toneladas.

A jornada começou cedo. As sardinhas só entravam na grelha lá para as 12.30, mas pelas 11.00 já a Praça José Afonso estava cheia, com gente, dos 8 aos 80, de prato e talheres na mão. Setúbal preparava-se para uma maratona rumo à maior sardinhada do mundo, na qual era preciso "virar" 120 mil sardinhas no espaço de oito horas.

Coube à presidente da câmara, Maria das Dores Meira, colocar os dois primeiros exemplares no gigantesco fogareiro, de cem metros, enquanto milhares de pessoas já aguardavam a sua vez na fila. "Epá, nem o pequeno-almoço tomei para ajudar a malta a bater o recorde, mas não me faça esperar muito tempo que eu vou desfalecer", gritava Amália Monteiro.

Os assadores não tinham mãos a medir, suportando na pele um sol tórrido, ao qual se juntava o calor das brasas. "Somos cerca de 40, mas temos de nos ir revezando, porque isto não pode parar", explicava Isabel Galantinho, à medida que ia perfilando as sardinhas na grelha e elogiava a qualidade do peixe: "É grande, mas está gordinha e é mesmo boa para assar."

A maior contrariedade referia- -se ao número de lugares sentados. Havia 2500, mas ao recinto não paravam de chegar "clientes", sendo contabilizados mais de seis mil só no início da jornada.

"Há sardinhas para todos, mas não reservem mesas o dia inteiro. Comam e dêem o lugar a outros", apelava a organização, mas era como se nada fosse. "Vim para aqui às 10.00 para arranjar mesa à sombra, agora têm de levar comigo o dia todo", dizia Júlio Quaresma.

Por isso, centenas de pessoas comiam de pé, sentadas na escadaria e até no passeio.

"Viemos de Faro para assistir a isto. É muito giro, mas já sabíamos que não era fácil de organizar", dizia Paula Dias.

Um dos participantes de Viseu - de onde a organização confirmou a presença de oito autocarros - não se importava de estar a comer ao sol, sentado num muro e com o prato no colo. António Castro garantia que "a sardinha se come de pé e no pão. É como sabe melhor. E este tinto está um espectáculo".

Já na ala VIP, a presidente da câmara surpreendia ao comer um pão quente com chouriço "para aconchegar o estômago", dizia. Lá explicou que gosta de sardinhas e já tinha comido, enquanto se ia balançando ao som do Rio Azul celebrizado por Xico de Cana.

O "pai" da ideia, João Ferreira, andava de megafone em punho numa roda-viva e ainda nem tinha conseguido comer, ao contrário de Paulo Portas, que apareceu na festa e quase passava despercebido entre a multidão. Comeu duas sardinhas regadas com um tinto da região. "Venho ajudar a bater o recorde. Gosto de sardinhas e é hora de almoço. Está bem boa", garantiu o líder do CDS.

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