Hoje é Dia Internacional da Mulher e a luta pela igualdade de género parece ganhar novo fôlego a cada 8 de março. .Recebemos flores à porta do metro, ouvimos e lemos discursos indignados e inflamados sobre como-raio-ainda-existem-diferenças-entre-homens-e-mulheres-em-pleno-século-XXI. No mundo moderno, os textos e os artigos multiplicam-se. Nas redes sociais pululam imagens sugestivas e os feeds enchem-se de homenagens a grandes mulheres, que, por acaso, até já eram grandes antes de ser Dia da Mulher. Com sorte, nesse dia não temos de ir buscar os miúdos à escola e o jantar aparece feito. .Resumindo, as manifestações de apreço pela Mulher são várias, embora as opiniões se dividam quanto à pertinência deste dia e se existe quem lhe reconheça a relevância, existem também aqueles que o consideram apenas uma construção comercial e machista... .Historicamente, o Dia Internacional da Mulher pretende, de facto, mobilizar as pessoas pública e politicamente, relembrando a importância da Mulher na sociedade e as suas várias, mas insuficientes, conquistas na procura da igualdade ao longo dos tempos. Sob esta perspetiva, este dia, vem, assim, dar expressão a lutas antigas e sobre a quais, também enquanto mulher, não consigo deixar de me relacionar. .A luta é antiga, é certo, mas as suas vertentes são múltiplas e vão ganhando novas abordagens, que se adaptam aos novos tempos. Se, no início do século XX, o dia ganhou o seu espaço através da classe operária, que reivindicava melhores condições de trabalho para as mulheres, em 2021 o advento de uma nova ordem mundial pós-pandemia Covid-19 levou-nos a pensar no papel das mulheres - e a homenageá-las - no combate a um dos maiores desafios para a Humanidade. Já em 2022, o tema escolhido pelas Nações Unidas, "Igualdade de género hoje, para um amanhã mais sustentável", pretende iluminar um caminho que, num contexto mais abrangente, é também relativamente recente na luta das Mulheres. .Com efeito, reconhece-se hoje a maior vulnerabilidade das mulheres às alterações climáticas, uma vez que, globalmente, as mesmas mulheres são as mais dependentes de recursos naturais ameaçados e simultaneamente, tem-se vindo a observar cada vez mais a liderança das mulheres no envolvimento em iniciativas de sustentabilidade em todo o mundo. .A igualdade de género é, de resto, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas em 2015, na Agenda 2030, uma visão comum, uma espécie de "contrato" para com o planeta. .Hoje ouvimos discussões acesas sobre o feminismo, sobre ser-se "anti-feminista" (seja lá o que isso for), sobre o que tantos pensam que é o feminismo e que afinal não, afinal é femismo e até vem no dicionário. .Hoje ouvimos falar sobre a mudança de paradigma num mundo político-económico já menos dominado pelos homens, já não nos surpreendemos com mulheres em cargos de liderança e até lhes reconhecemos grande mérito na busca do equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. .Hoje ouvimos e compreendemos o impacto das alterações climáticas sobre a pobreza de mulheres já (mais) pobres. .Hoje somos todos feministas, todos pela igualdade de direitos dos homens e das mulheres. .Hoje é Dia Internacional da Mulher. Mas quando as rosas murcharem, quando os textos alusivos nos blogs voltarem ao "arquivo" e a entrada no metro não seja mais do que o início de mais um dia de trabalho igual a todos os outros, sejamos capazes de continuar a ouvir e fazer ecoar o discurso sobre a igualdade de género e continuemos a percorrer este auspicioso caminho. .Market Access, Payor Accounts and Policy Lead, Organon Portugal