É a economia, Marine!

Publicado a
Atualizado a

É evidente que muitos franceses partilham das preocupações de Marine Le Pen com a criminalidade associada à imigração e com a ameaça terrorista islâmica. Aliás, será a atenção antiga que a Frente Nacional dá a estes temas, durante muito tempo ignorados pelos partidos tradicionais, que explica o crescimento ao longo dos tempos da votação nos candidatos da extrema-direita, em tempos liderada por Jean-Marie Le Pen, pai da candidata. A 23 de abril, na primeira volta das presidenciais, foram sete milhões e meio os franceses que votaram em Marine, número recorde. O pai nem perto chegou em 2002, quando passou à segunda volta.

Mas os franceses estão também preocupados com a situação económica - e muito. Os 10% de desemprego são persistentes e o PIB cresce abaixo da média europeia, o que dificulta a criação de postos de trabalho. E ao orgulho francês custa também muito que na era de François Hollande, o tal primeiro presidente que nem sequer se recandidatou, o país tenha sido até ultrapassado na hierarquia das potências pelo Reino Unido, só recuperando momentaneamente o quinto lugar por causa da queda da libra devido ao brexit.

Ora, se houve área em que o centrista Macron esmagou Le Pen no debate televisivo de quarta-feira, único entre primeira e segunda voltas, foi a económica. Ele, que foi banqueiro e ministro da Economia, não só mostrou que sabe de números como deixou evidente que a rival disso nada percebe. Para subir nas sondagens, ir além dos 40% e tentar discutir o triunfo no domingo, a candidata da extrema-direita teria de ter exibido outra prestação na matéria, não resumindo tudo ao euro versus franco, do qual diz ter certas saudades.

Macron continua, pois, claríssimo favorito. E já dá ares de presidente, algo que agrada ao eleitorado francês, habituado desde o general De Gaulle a líderes fortes da V República. Será uma enorme surpresa se Le Pen ganhar, talvez por causa do debate fique abaixo até do que as sondagens agora lhe apontam.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt