Duas Histórias na Primeira Pessoa: um documentário sobre viver com cancro do ovário
Rosa Marçal e Maria Carolina são mulheres com o mesmo diagnóstico, mas com percursos diferentes. Enquanto Rosa experienciava infeções urinárias com muita frequência, Maria Carolina não conseguia comer sem se sentir enfartada, um sintoma que foi descartado de início por ser "algo psicológico". Depois dos exames feitos, o diagnóstico confirmou-se: era cancro do ovário.
A história destas mulheres, bem como todos os desafios que são comuns às duas e a todas as pacientes, são contadas no documentário "Duas Histórias na Primeira Pessoa". Os sintomas, as alterações, os tratamentos, a investigação, tudo contado por estas mulheres que lutam dia a dia contra esta doença que pode ser silenciosa mais agressiva.
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Mais de dois terços dos casos são diagnosticados numa fase já avançada quando o cancro já alastrou para outros órgãos. Por os ovários estarem tão escondidos na cavidade pélvica, a doença vai crescendo e crescendo sem qualquer sintoma, e quando estes surgem são tão vulgares quanto alterações do trânsito intestinal, dos sintomas urinários ou até distensão abdominal.
Geralmente, é também uma doença agressiva, ou seja, avança muito rapidamente. Muitas vezes, a pessoa pode ter tido uma consulta de rotina e estar tudo bem, mas pouco tempo depois, semanas ou meses, já está ali um cancro do ovário bem estabelecido. E há fatores que aumentam o risco: mulheres que tiveram a primeira menstruação antes dos doze anos ou uma menopausa tardia (depois dos cinquenta e dois anos), que nunca engravidaram ou que engravidaram pela primeira vez após os trinta e cinco anos são mais propensas à doença.
Quanto mais depressa se iniciar o tratamento, mais esperança se pode ter. Em estadios iniciais, a taxa de sobrevivência aos cinco anos pode chegar a 90%, enquanto em estadios avançados é de cerca de 15%. Nestas, depois do tratamento inicial, cirúrgico ou químico, a maioria acaba por ter uma recidiva no espaço de dois anos.
Tudo isto traz ainda efeitos colaterais, sendo 20% dos casos de cancro do ovário hereditários. A pessoa doente pode ser a primeira a identificar a alteração genética na família, nascendo daí uma culpabilização. Quando a mulher é mãe, sente remorso por ter passado essa predisposição genética à sua descendência. Por outro lado, os pais da própria doente também sentem culpa e ansiedade.
Ainda assim, a ciência está a conquistar terreno. Surgiu recentemente uma terapia mais dirigida, já disponível e comercializada no nosso país. Portanto, a investigação não para e esperança para uma vida mais longa e com mais qualidade é cada vez maior.
As autoras do artigo não recebem qualquer honorário para colaborar nesta iniciativa.
Esta iniciativa é apoiada pela GSK, sendo os artigos integrados no projeto Ciência e Inovação da responsabilidade dos/as seus/suas autores/as.

