Duas geringonças

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Quem não tem grande património imobiliário (CDS e Bloco de Esquerda) quer acabar com a isenção de IMI para os partidos, quem tem (PS, PSD e PCP) não quer. Clarinho como água. E, assim sendo, pode considerar-se a posição de cada uma destas geringonças muito diferente uma da outra?

Sabemos que os partidos legislam isenções em benefício próprio e desconfiamos do juízo que estão a fazer, mas sabemos igualmente que sem partidos não há democracia. É preciso facilitar-lhes a vida, sob pena de os vermos ter dificuldades de funcionamento por falta de dinheiro. Terá sido nisso que pensou o legislador, nos primórdios da democracia.

Para agradar ao povo já há os cortes no financiamento estatal aos partidos, que passarão a ser irreversíveis e seria muito popular continuar a carregá-los. Afinal, se já há tantos impostos para os cidadãos de uma forma geral, se a vida ainda não é o que todos desejamos, porque não sofrem também os partidos? A pergunta será feita por muitos portugueses, talvez até pela maioria, mas a resposta não pode ser demagógica. Não é possível criar ainda mais problemas a partidos que já estão com grandes dificuldades. Talvez valesse a pena refletir sobre a dependência excessiva que os partidos têm do financiamento estatal. Até lá convém não darem muitos tiros nos pés.

Não se pode, no entanto, deixar de registar a ironia. Em matéria fiscal, no que diz respeito aos partidos, não há esquerda e direita. Há duas grandes geringonças, uma formada por bloquistas e centristas e outra em que se juntam no mesmo saco socialistas, social-democratas e comunistas. Quando julgamos que já vimos tudo é porque nos esquecemos de olhar mais de perto. Diz-me que património tens e dir-te-ei com quem te vais coligar.

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