Os 23 convocados de Fernando Santos terão em comum a nacionalidade portuguesa e o objetivo de vencer a final four da Liga das Nações, que se disputa entre 5 e 9 de junho em Guimarães e no Porto, mas diferem na idade, no currículo, nos minutos acumulados ao longo da época, nos clubes, no estatuto na seleção e muitos outros itens..Leia aqui dez dados a reter sobre a convocatória do selecionador nacional..1. Sete imprescindíveis.Se contabilizarmos a final four da Liga das Nações como uma fase final de uma competição, serão sete os jogadores dos quais Fernando Santos não abdicou nos quatro torneios à frente da seleção nacional (Euro 2016, Taça das Confederações 2017, Mundial 2018, Liga das Nações 2019). Rui Patrício, Pepe, José Fonte, Raphael Guerreiro, William Carvalho, João Moutinho e Cristiano Ronaldo foram os sete imprescindíveis para o selecionador nacional, que pela primeira vez vai deixar de fora Bruno Alves, Cédric Soares, Adrien Silva e Ricardo Quaresma. Nota ainda para Bernardo Silva e Danilo Pereira, que só não aumentam o lote de imprescindíveis para nove por terem falhado o Euro 2016 e o Mundial 2018, respetivamente..2. Benfica e Wolves em maioria.Os clubes mais representados nesta convocatória são Benfica e Wolverhampton, cada um com quatro elementos. Rúben Dias, Pizzi, Rafa e João Félix no caso das águias - e Rui Patrício, Rúben Neves, João Moutinho e Diogo Jota no dos ingleses -, que já não estavam representados com tantos jogadores desde o Mundial 2006 (também quatro). Daí para cá, três na Taça das Confederações 2017, dois tanto no Euro 2008 como no Mundial 2010, Euro 2012, Mundial 2014 e Euro 2016, e um no Mundial 2018..O Sporting tinha sido sempre o clube mais representado nas convocatórias de Fernando Santos, com quatro jogadores no Euro 2016 e Mundial 2018 e cinco na Taça das Confederações 2017..3. A convocatória mais jovem de Santos.Em média, os eleitos de Fernando Santos para a final four da Liga das Nações são um ano mais jovens do que os convocados pelo engenheiro para as três fases finais anteriores. Depois de a seleção se ter apresentado tanto no Euro 2016 como na Taça das Confederações 2017 e no Mundial 2018 com uma média de idades de 28,3 anos, agora vai estar na final four da nova prova europeia com 27,3. O benjamim da convocatória é João Félix, com 19 anos, ao passo que o mais velho é o guarda-redes Beto, com 37..4. Menos jogos pela seleção.Tudo somado, os convocados para a Liga das Nações totalizam 776 internacionalizações, o menor registo à partida para uma fase final com Fernando Santos ao leme, suplantado por Euro 2016 (849), Taça das Confederações 2017 (872) e Mundial 2018 (911). Uma prova inequívoca da fase de renovação que vive a seleção nacional e que é reforçada pela chamada de três jogadores ainda sem qualquer internacionalização pelos AA: José Sá, Diogo Jota e João Félix. O guarda-redes do Olympiakos até esteve na Taça das Confederações e os atacantes de Wolverhampton e Benfica também tinham sido convocados para os jogos de março ante Ucrânia e Sérvia, mas os três ainda aguardam a estreia. Por outro lado, o capitão Cristiano Ronaldo vai apresentar-se com um recorde reforçado de 156 internacionalizações..5. O maratonista Rúben Dias.Dos 23 convocados, o benfiquista Rúben Dias é o que chega à final four da Liga das Nações: 5609 minutos em todas as competições, por clube e seleção. Seguem-se outros dois jogadores que atuam em Portugal: o leão Bruno Fernandes (4570) e a águia Pizzi (4212). Cristiano Ronaldo é o sétimo da lista (3766), atrás de William Carvalho (4125), Bernardo Silva (4025) e Rui Patrício (3766). Na cauda deste pelotão aparece Raphaël Guerreiro, que jogou apenas 2281 minutos nesta época. No total, os jogadores da seleção somam 79 612 minutos, mas este número deverá aumentar uma vez que há futebolistas que ainda poderão jogar nas finais das taças de Portugal e Espanha e nos campeonatos de Itália, França e Turquia..6. Bernardo papa títulos.Dificilmente algum jogador chegará à concentração da seleção nacional mais realizado pela época ao serviço do clube do que Bernardo Silva. Além de ter conquistado a titularidade, ter merecido elogios recorrentes do treinador Pep Guardiola e de ter sido eleito melhor jogador do ano do Manchester City, conquistou quatro títulos: Supertaça, Taça da Liga, Taça e Liga de Inglaterra. A dupla da Juventus, João Cancelo e Cristiano Ronaldo, venceu campeonato e supertaça; Nélson Semedo ganhou supertaça, campeonato e ainda poderá levantar a Taça do Rei pelo Barcelona; o quarteto benfiquista conquistou o campeonato; e Bruno Fernandes ganhou a Taça da Liga..Por outro lado, há 14 jogadores que não venceram qualquer troféu nesta época, mas ainda há três que o podem fazer: os portistas Pepe e Danilo Pereira (Taça de Portugal) e Gonçalo Guedes, do Valência (Taça do Rei). De mãos a abanar vão ficar seguramente William Carvalho, Rui Patrício, João Moutinho, Rúben Neves, José Fonte, Beto, Diogo Jota, Dyego Sousa, Mário Rui, José Sá e Raphaël Guerreiro..No total, o jogador mais titulado é Cristiano Ronaldo (28 troféus), enquanto Rúben Neves, Diogo Jota, Dyego Sousa e Mário Rui ainda não venceram nenhuma competição ao mais alto nível..7. Laterais desequilibradas.Portugal será certamente uma das poucas seleções da atualidade que poderão deixar um lateral da Juventus ou do Barcelona no banco de suplentes. Será assim com João Cancelo ou Nélson Semedo. E Fernando Santos até tinha mais opções, como o ex-habitual titular Cédric e Ricardo Pereira, que esteve no Mundial 2018 e que nesta época foi eleito melhor jogador do ano do Leicester, mas que desde que foi para Inglaterra não mais foi chamado pelo selecionador nacional. E ainda há André Almeida, que brilhou no Benfica ao assinar 12 assistências mas que já não joga de quinas ao peito desde o infame particular com Cabo Verde em março de 2015..Já os laterais esquerdos escolhidos pelo engenheiro são dois dos quatro jogadores da seleção com menos minutos acumulados ao longo da época: Mário Rui (2710) e Raphaël Guerreiro (2281). Desde o pós-Mundial 2018 que a alternativa tem sido Kévin Rodrigues, que durante a temporada somou apenas 483 minutos pela Real Sociedad (e mais 180 por Portugal)..8. "Mata-mata imediato".Esta é a primeira final four da Liga das Nações. "É uma prova diferente. Não tem uma primeira fase por pontos que dê a qualificação para a fase seguinte. É uma prova de mata-mata imediato. Se queremos estar na final e ganhar a competição, temos de vencer as meias-finais. Não há outra forma", alertou Fernando Santos, sublinhando que a seleção nacional não tem margem de erro se quiser vencer a prova. O formato do torneio também pesou nas escolhas do selecionador, que assumiu ter incidido mais em "quem está com mais ritmo de jogo, por serem apenas dois jogos". "Numa grande competição, há tempo para dar ritmo, para recuperar, para preparar. Não é o caso desta prova", justificou, já a pensar na meia-final com a Suíça, a 5 de junho, no Estádio do Dragão..9. Que onze esperar?.Olhando para o que têm sido os onzes da seleção nacional no pós-Mundial 2018, é de esperar Rui Patrício na baliza e um quarteto defensivo formado por João Cancelo, Pepe, Rúben Dias e Raphaël Guerreiro. Depois começam as dúvidas. William Carvalho e Bernardo Silva têm sido sempre titulares e não é crível que Cristiano Ronaldo se sente no banco, mas continuam a sobrar três vagas. A lógica dos últimos jogos indica que Danilo Pereira, Rúben Neves, Pizzi e Bruno Fernandes sejam os principais candidatos a preencher o meio-campo e que Rafa ou Dyego Sousa possam acompanhar Ronaldo no ataque, mas é preciso não esquecer a ascensão meteórica de João Félix nos últimos meses..10. Ausências de luxo.A atual geração de futebolistas portugueses dá a Fernando Santos um leque tão alargado de opções que fica impossível não deixar alguns craques de fora. O principal destaque talvez seja André Silva, escolha habitual do selecionador mas que tem estado a contas com problemas físicos e em conflito no Sevilha com o próprio treinador, Joaquín Caparrós. Também sem minutos nas últimas semanas mas com indiscutível qualidade, João Mário é outro que não vai estar na final four daLiga das Nações. A estes é possível juntar os campeões europeus Cédric, Bruno Alves, Adrien, André Gomes, Renato Sanches, Quaresma e, claro, Éder. Bruma, que esteve em três dos quatros jogos da primeira fase da prova, não vai estar nas decisões. Além destes, é preciso não esquecer dois titulares do Benfica campeão, André Almeida e Ferro.