Dirceu classifica de "fuzilamento político" pedido da sua destituição

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como líder do esquema do "mensalão", classificou ontem de "fuzilamento político" os resultados do relatório preliminar das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) dos Correios e do "mensalão", que sugerem que seja destituído do seu mandato de deputado. "Não há provas, nenhum facto que possa ser caracterizado como ilícito", disse, referindo que pretende ir até ao Supremo Tribunal Federal para defender o seu mandato.

Na quinta-feira, os relatores das duas CPI divulgaram um relatório preliminar em que pedem a abertura do processo de fim de mandato por quebra de decoro parlamentar a 18 deputados, incluindo Dirceu. O mesmo documento confirma a existência de pagamentos a deputados em troca do apoio ao Governo, mas não confirma que estes tenham sido mensais. "O que menos interessa, a esse respeito, é a periodicidade dos pagamentos. Alguns podem ter sido feitos mês a mês, outros com maior ou menos periodici- dade. O facto importante, de que não nos podemos afastar, é que foram recebidas vantagens indevidas", refere o texto.

A maior parte do relatório de 61 páginas foi lida na quinta-feira pelo relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio, e indica ainda que o chamado "caixa dois" - o saco azul do Partido dos Trabalhadores (PT) que terá pago as campanhas eleitorais do partido e o "mensalão" - é uma agressão ao Estado democrático de direito.

Dos deputados cujo nome consta do relatório, e que são acusados de crimes como corrupção activa ou passiva, fraude fiscal ou infracção à lei eleitoral, 13 podem ainda desistir do mandato - antes de lhes ser aberto um processo. Isso evita que fiquem inelegíveis por oito anos. Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL) e um dos nomes indicados, já tinha renunciado ao cargo no mês passado.

jefferson. Esta semana, o Conselho de Ética do Parlamento aprovou, por unanimidade, o pedido de destituição do mandato do deputado Roberto Jefferson, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) - responsável pela denúncia do esquema do "mensalão". Esta medida tem agora de ser votada em plenário, o que só deverá acontecer no dia 13 de Setembro.

Antes da votação, Jefferson terá oportunidade de se defender mais uma vez. Segundo o jornal O Globo, serão precisos 257 votos dos 513 deputados para aprovar o fim do mandato e caso isso acontece, o deputado ficará inelegível nos próximos oito anos. A votação será secreta. Jefferson confessou, ao fazer as suas acusações, vários crimes, entre os quais tráfico de influências.

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