Diálogos mais íntimos da cidade e dos corpos

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A manifestação de arte própria da pintura de Paulo Ossião prende-se desde sempre com um lugar que se afasta da rigidez e da gravidade dos corpos - sejam os da cidade, dos rios, dos mares ou os dos rostos humanos. Assim voltam a ser as aguarelas que se encontram expostas (até 9 de Janeiro de 2005), na Santiago - Galeria de Arte, em Palmela (Rua Serpa Pinto, 141/145). A mostra pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 13.00 às 19.00.

Esta exposição individual de Paulo Ossião inclui, ainda, esculturas e desenhos. Das aguarelas (sem título) sobressai uma Lisboa que o pintor descobre com um olhar de apurada sensibilidade e nos conduz ao encantamento que a arte pictórica não adia.

Estamos perante um artista que desenvolve a técnica e a estética, o ofício, ciente das possibilidades de comunicar por meio de uma sábia utilização da cor, das tonalidades harmoniosas, envolventes.

São determinantes nas telas de Paulo Ossião (pintor de berço lisboeta, nascido em 1952) os jogos dos azuis, de muitos azuis e brancos fiéis a uma poética que organiza os casarios, os telhados, as janelas, conferindo-lhe uma relação nunca distanciada do imaginário e do sonho, da qual nos tornamos espectadores cúmplices da luz e das transparências em que as próprias névoas se transformam; espectadores capazes de interpelar os grandes silêncios derramados sobre a linguagem artística de Paulo Ossião.

Membro do Instituto Europeu de Aguarela, distinguido com vários galardões, nomeadamente com o Prémio Carlos Botelho da Câmara Municipal de Lisboa (1990), Paulo Ossião levou também para esta mostra desenhos a carvão de singular perícia. E às aguarelas da cidade aliam-se emoções femininas ocultas na sua nudez ou interrogativas no sono que não dormem.

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