Deutsche Telekom entra no mercado português através da T-Systems

Publicado a
Atualizado a

A Deutshe Telekom entrou em Portugal no sector das tecnologias através da sua participada T-Systems. A entrada aconteceu por via da aquisição, a nível internacional, da Gedas, que já estava em Portugal com um contrato de outsourcing (externalização de funções) na área de sistemas da Autoreuropa. Mas agora quer ir mais longe no mercado nacional em várias áreas ligadas aos sistemas de informação. Para prestar um serviço abrangente aos seus clientes já pediu também autorização à Anacom - Autoridade Nacional das Comunicações para prestar serviços de transmissão de dados sobre IP (Internet Protocol) para "podermos dar comunicações ponto a ponto para clientes que estão em Portugal", explicou ao DN Mário Marques, director-geral da T-Systems Portugal, que garante não estar nos planos, nem no objecto de negócio da T-Systems, dar serviços de comunicações locais. Essencialmente serão telecomunicações internacionais. Não deixa de ser a entrada da Deutshe Telekom, o maior operador europeu, nas telecomunicações em Portugal. Mas este não é o negócio principal da T-Systems, que concluiu a integração da Gedas em Janeiro deste ano, tornando-se marca única. Em Portugal, a Gedas estava presente desde 2000. A T-Systems não estava.

Agora, Mário Marques reporta a Espanha, onde está a sede da T-Systems Iberia. Em Portugal, a empresa tem cerca de 70 pessoas - todos licenciados e com uma média de idades de 37 anos - e espera facturar 11 milhões de euros, sendo a maioria resultante dos contratos que mantém por via do negócio que a Gedas tinha em Portugal. Além da Autoeuropa, um outro contrato global com a Bombardier Transportation tem ramificações em Portugal, também com a externalização informática.

Garantir os sistemas de informação da Volkswagen foi um dos principais motivos para a T-Systems ter avançado para a compra da Gedas, que além de garantir uma maior diversificação de sectores de actuação garante também uma presença mais global para a participada da Deutsche Telekom. A T-Systems já estava em Espanha, mas não se encontrava em Portugal. Mário Marques quer "divulgar soluções que a empresa tem noutros mercados e trazê-las para o mercado português". A T-Systems tem aplicações próprias para a área da saúde, EDI (ligação electrónica entre clientes e fornecedores, através da qual fazem toda a sua comunicação contratual), gestão da cadeia logística, onde aliás está com alguns projectos, na Alemanha, na área do RFID (comunicações radioeléctricas, com etiquetagem dos produtos com esta tecnologia). Claro que a indústria automóvel é uma área forte da T-Systems, até pela aquisição da Gedas, que por isso garante ter um vertical para esta área de negócio de SAP.

Uma das áreas importantes da T-Systems é o outsourcing e a gestão de infra-estruturas, além da gestão de aplicações e serviços de consultoria. A nível global, a T-Systems tem mais de 30 data centers, estando cinco em Espanha, que "podem ser utilizados para clientes em Portugal", garante Mário Marques. Estes centros de armazenamento de dados estão a ser operados em parceria com a Telvent. Em Portugal, a T-Systems já tem dois call centers (centros de atendimento aos clientes), um em Palmela e outro no Parque das Nações, em Lisboa. O de Palmela foi concebido para responder à Autoeuropa.

Em termos de sectores, Mário Marques vê oportunidades na saúde, "eventualmente" na administração pública e na indústria de forma transversal. Eventualmente a administração pública? "É um sector estratégico a nível da T-Systems Iberia, mas em Portugal temos de fazer prospecção de mercado para perceber se faz sentido investirmos". Para Mário Marques, esse até será um sector já ocupado, por isso espera chegar a outros sectores.

Nos próximos cinco anos, a T-Systems conta crescer de forma orgânica 10% ao ano o seu volume de negócios. "Não há aquisições, neste momento, planeadas", garante o responsável.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt