Polícia turca identifica cidadã síria como autora do atentado de Istambul

Entre os 22 suspeitos detidos conta-se a pessoa que alegadamente colocou o explosivo.
Publicado a
Atualizado a

A polícia turca anunciou esta segunda-feira que a principal suspeita do atentado que fez seis mortos no domingo, em Istambul, é uma cidadã síria que terá recebido em Kobane, Síria, ordens do PKK para colocar a bomba.

De acordo com as estações de televisão da Turquia, a Direção de Segurança de Istambul disse que a mulher, detida poucas horas depois da explosão, chama-se Ahlam Albashir.

O organismo refere igualmente que a suspeita foi "instruída" pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em Kobane, no norte da Síria, a levar a cabo o atentado de domingo.

O PKK é um dos principais alvos da Turquia na zona de fronteira do Iraque e da Síria estando o partido proibido em território turco.

Antes, o ministro do Interior turco anunciou a detenção de 22 suspeitos do atentado bombista que causou pelo menos seis mortos, no domingo, na rua comercial Istiklal, em Istambul.

Entre estes suspeitos conta-se a pessoa que alegadamente colocou o explosivo, disse Suleyman Soylu, na altura sem revelar a identidade.

"A pessoa que colocou a bomba foi presa (...) De acordo com as nossas descobertas, a organização terrorista PKK [Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ilegalizado] é responsável" pelo ataque, acrescentou Soylu, citado pela agência de notícias oficial turca Anadolu e pelas estações de televisão locais.

O ministro também acusou as forças curdas que controlam a maior parte do nordeste da Síria, consideradas terroristas por Ancara, de estarem por detrás do ataque.

"Acreditamos que a ordem do ataque foi dada por Kobane", indicou.

Na batalha de Kobane, em 2015, as forças curdas conseguiram repelir o grupo extremista Estado Islâmico (EI). A cidade está sob controlo das Forças Democráticas Sírias (SDF), das quais as Unidades de Proteção Popular (YPG), com base no PKK, são uma componente importante.

O ataque, que ainda não foi reivindicado, deixou seis mortos e 81 feridos, metade dos quais foram hospitalizados. Todas as vítimas são de nacionalidade turca.

Fechado imediatamente depois do ataque, o acesso à rua, frequentada por residentes e turistas de Istambul, foi novamente permitido esta manhã, noticiaram os meios de comunicação social turcos.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi o primeiro a denunciar um "ataque vil", pouco antes de partir para a Indonésia, onde vai decorrer a partir de terça-feira a cimeira do G20 [grupo das 20 economias mais desenvolvidas] em Bali: "as primeiras observações sugerem um ataque terrorista".

"Os perpetradores deste vil ataque serão desmascarados. Que o nosso povo esteja seguro [de que] será punido", prometeu Erdogan, que já enfrentou uma campanha de terror em todo o país em 2015-2016.

O PKK, considerada uma organização terrorista por Ancara, mas também pelos aliados ocidentais, incluindo Estados Unidos e UE, trava uma luta armada contra o Governo turco desde meados dos anos 1980, tendo sido várias vezes acusado, no passado, de perpetrar ataques terroristas em solo turco.

Em dezembro de 2016, 47 pessoas morreram e 160 ficaram feridas num duplo ataque perto do estádio de futebol Besiktas em Istambul, reivindicado pelos Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), um grupo radical curdo próximo do PKK.

O PKK é também alvo regular de operações militares turcas contra bases no norte do Iraque e na Síria.

No mês passado, numerosas acusações transmitidas pela oposição e pelos observadores turcos, mas negadas pelas autoridades, referiam-se à utilização de armas químicas pelo exército turco contra combatentes do PKK que publicaram uma lista de 17 nomes, acompanhados de fotografias de pessoas apresentadas como mártires mortos por gás tóxico.

A Turquia rejeitou esta segunda-feira as condolências dos Estados Unidos pela morte de seis pessoas no atentado.

"Não aceitamos a mensagem de condolências da embaixada dos EUA. Rejeitamos", afirmou o ministro do Interior, Suleyman Soylu, em comentários televisionados.

Erdogan acusa frequentemente Washington de fornecer armas a combatentes curdos no norte da Síria, considerados "terroristas" por Ancara.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt