A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), caracterizada pela obstrução das vias aéreas e associada à inflamação do aparelho respiratório, é progressiva e tem repercussões em todo o organismo. Estima-se que 800 mil portugueses com mais de 40 anos sofram de DPOC, mas em 2020 apenas 136 390 utentes estavam inscritos nos centros de saúde com diagnóstico de DPOC e, destes, apenas 43% com o diagnóstico baseado na espirometria..A melhor arma que temos para tratar um doente com DPOC é detetar precocemente a doença e estratificá-la, entre doença de baixo risco e de alto risco, de maneira a poder atuar, e, aqui, as exacerbações têm um papel fundamental pelo impacto que têm na morbilidade e mortalidade..Temos hoje terapêuticas competentes, farmacológicas e não farmacológicas, que não curam a doença, mas que podem, de alguma maneira, estabilizar a doença, evitar que ela progrida ou atrasar a sua progressão de forma a evitar as exacerbações..Com a inovação tecnológica, a telemonitorização passou também a ser um aliado importante na deteção precoce das exacerbações pois, através de uma plataforma tecnológica profissional especializada, permite a monitorização em tempo real de parâmetros clínicos dos doentes a partir de casa ou em movimento e a intervenção clínica atempada..A doença cardiovascular está muito associada à DPOC, sendo uma comorbilidade importante (20 a 70% dos doentes com DPOC têm insuficiência cardíaca), e o risco de mortalidade aumenta quando estão associadas e em agudização..A hipertensão arterial talvez seja, no foro cardiovascular, a patologia mais prevalente na DPOC e pode também ter impacto no prognóstico. Por outro lado, sabemos que a fibrilação auricular é frequente e está diretamente associada ao grau de obstrução brônquica..Doentes com DPOC que agudizem e sofram de cardiopatia isquémica têm um risco aumentado de terem um evento cardiovascular agudo, nomeadamente angina instável, enfarte ou mesmo morte..O tabagismo, que é a principal causa da DPOC, é também um fator de risco para quem sofre de doenças cardiovasculares..Torna-se assim essencial que os doentes com DPOC mantenham hábitos de vida saudáveis. Ter cuidado com o peso e desvios nutricionais, fazer exercício físico e deixar de fumar. Nunca é tarde para deixar de fumar. Há também o estigma de que, ao tratar a doença com medicamentos que são broncodilatadores, se esteja a fazer mal ao coração. Isso não é verdade e é importante que se faça exatamente aquilo que o médico prescreve..O autor do artigo não recebe qualquer honorário para colaborar nesta iniciativa..Esta iniciativa é apoiada pela GSK, sendo os artigos integrados no projeto Ciência e Inovação da responsabilidade dos seus autores.