Há cerca de 100 mil ofertas de emprego ou acções de formação profissional que são recusadas por ano pelos desempregados inscritos nos centros de emprego. Em declarações ao DN, o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelou que estas recusas se inserem num universo global de cerca de 900 mil convocatórias realizadas pelo IEFP todos os anos. .Francisco Madelino lembra, todavia, que nem todos os convocados são beneficiários do subsídio de desemprego, pelo que a obrigatoriedade de aceitação das iniciativas propostas pelo IEFP não se aplica a todos. Uns porque já esgotaram o período de duração daquela prestação, outros porque estão inscritos apenas para terem acesso a outros benefícios sociais..Neste momento existem cerca de 290 mil desempregados a receberem subsídio, de acordo com as estatísticas referentes ao mês de Setembro. Mas o universo global de desempregados inscritos (que é diferente dos dados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística) era de quase 450 mil, o que significa que quase dois terços dos desempregados tem apoio financeiro..Apesar da taxa de desemprego dar sinais de estabilização - como anteviu esta semana a Comissão Europeia -, "a proporção de desempregados subsidiados em relação ao total de desempregados tenderá a subir ligeiramente", admitiu Francisco Madelino. Isto, porque, de acordo com aquele responsável, "à medida que a economia se vai desenvolvendo tende a estar mais formalizada, com um nível menor de trabalho clandestino e as pessoas integradas na economia vão tendo mais direitos". Por outro lado, acrescenta, "a legalização de imigrantes, também aponta nesse sentido"..Esta análise deixa antever que a despesa com o subsídio de desemprego poderá manter-se elevada, apesar da tendência de estabilização do desemprego e do novo regime do subsídio de desemprego, mais restritivo, que entrará em vigor em Janeiro. Isso mesmo está reflectido no orçamento da Segurança Social para 2007, em que a despesa continua a aumentar. No próximo ano, a despesa com aquela prestação vai subir 51,3 milhões de euros, ascendendo a 1,9 mil milhões de euros..Nas suas previsões de Outono, Bruxelas estima uma taxa de desemprego de 7,6% para este ano, igual à do ano passado e prevê 7,7% para 2008, estabilizando a partir daí.