Ao longo dos anos, vários parceiros de trabalho receberam a distinção de ser o "quinto Beatle". Mas de todos, porque com eles partilhou espaço em estúdio e ao vivo (na mítica actuação no telhado da Apple, em Londres, onde foi presença fundamental em Get Back) e a dada altura foi a força de coesão de uma banda a caminho da inevitável separação, Billy Preston viveu em pleno o cognome. Morreu na terça-feira, aos 59 anos, em Scotts- dale, no Arizona, ponto final num percurso de vida há muito assombrado por uma doença renal grave, últimos tempos vividos em estado de coma..Billy Preston, a quem Miles Davis um dia dedicou uma composição, nasceu no Texas em 1959, mas viveu grande parte da sua infância em Los Angeles, onde aos três anos começou a aprender a tocar piano. Aos dez acompanhava já a grande Mahalia Jackson, algum tempo depois tocava como pianista nas bandas de Little Richard e Ray Charles. A sua actividade, sobretudo nas décadas de 60 e 70, levou-o a colaborar com alguns dos maiores vultos musicais de então, entre os quais Aretha Franklin, Sly Stone, Bob Dylan, The Rolling Stones, Ray Charles, Sammy Davies Jr, Quincy Jones, George Harrison, Eric Clapton e, claro, os Beatles. Com os fab four, Billy Preston foi a força de coesão quando a desagregação se começava a tornar evidente durante as sessões de Let It Be, estando também presente em Abbey Road. A sua ligação ao grupo valeu-lhe um acordo editorial com a Apple Records, dando continuidade a uma carreira discográfica a solo encetada em 1965, dividida entre o gospel e derivações R&B, muitas vezes secundarizada perante os ícones de primeira linha com quem foi trabalhando. Já este ano, ouvimo-lo a colaborar num dos temas do mais recente álbum dos Red Hot Chili Peppers e no muito elogiado 12 Songs de Neil Diamond.