Um cão olha fixo um quadro de van den Eeckhout, numa rua de Londres. Três homens distraídos ignoram um Van Gohg sentados numa esplanada de um café italiano, no Soho. Um homem torce o pescoço, curva-se de mala ao ombro, para ver melhor A Virgem, de Leonardo Da Vinci. À porta de uma sex shopp, um Caravaggio atrai a atenção de quem passa e duas mulheres fumam um cigarro, em pausa de trabalho, junto a uma pintura dos irmãos Louis and Mathieu Le Nain. É Junho na capital de Inglaterra e dois operários descarregam areia de uma camioneta, de costas para um Degas, junto a um sinal indicador de sentido obrigatório. .Durante doze semanas, a zona do Soho - um dos centros da noite londrina - e de Covent Garden, torna-se um museu a céu aberto com reproduções, em tamanho real, de cerca de 30 obras-primas da National Gallery. A arte sai à rua, irrompe no quotidiano dos londrinos e força-os a olhar. A alguns, pelo menos, já que iniciativas como esta não são estranhas aos habitantes de Londres..Aos nomes já referidos acrescem os de Rubens, Miguel Angelo, Botticelli, Monet, Velázquez, Van Eyc, Bermejo ou Quinten Massys com seu retrato grotesco de uma mulher... Estão emoldurados e pendurados em paredes de edifícios, na via pública, como se colocados nas paredes de um museu de verdade. Cada quadro faz-se acompanhar pela respectiva informação e, segundo a National Gallery, são todos à prova de grafitti. O objectivo é, através desta iniciativa que leva para a rua réplicas das pinturas mais famosas da sua colecção, atrair mais visitantes para o verdadeiro museu da National Gallery, em Trafalgar Square. |