Se é fácil dizer que o "purgatório artístico" que Carlos Santana atravessou durante os anos 80 e 90 foi o seu período menos bem-sucedido, é preciso não esquecer que Santana (na verdade, o nome do grupo liderado pelo guitarrista, do qual já se tornou sinónimo) foi uma potência comercial até aos anos 90..Membro fundador do mais bem-sucedido grupo a sair da cidade de São Francisco no final da década de 60, foi o guitarrista que protagonizou o primeiro grande momento do grupo nas luzes da ribalta, com a sua interpretação do tema Soul Sacrifice, no festival de Woodstock em 1970..Abraxas, editado meses depois da actuação em Woodstock, permaneceu no top de vendas norte- -americano durante mais de um ano e meio e permanece, até hoje, a coroa de louros de Santana (o grupo e o músico)..A partir de 1972, com a partida da maior parte da formação original, a música de Santana virou-se gradualmente para um registo mais próximo do jazz, com o disco Love Devotion Surrender (1972), em colaboração com John McLaughlin, da Mahavishnu Orchestra, a marcar a posição definitiva do músico no domínio da música instrumental mais "livre". No ano seguinte, Santana registou outra colaboração significativa (outra de muitas na sua carreira), desta vez em Illuminations (1973), com Alice Coltrane..Preso numa sucessão de registos instrumentais cada vez menos significativos (Blues for Salvador, de 1987, é uma das excepções), foi só em 1999 que Santana inverteu a "má sorte", com o disco Supernatural, numa mudança abrupta (e calculada) de fórmula, da qual resultaram os êxitos Smooth e Maria Maria. Agora, reencontrado com as massas, Santana prossegue com nova digressão mundial.