A prescrição por DCI (denominação comum internacional) é a forma tecnicamente ideal para indicar na receita o nome do medicamento que o médico entende ser o mais adequado para o seu doente. .Ao receitar um medicamento com o nome da substância activa, em vez de um nome de fantasia que identifica uma marca, o médico transmite ao doente, de forma inequívoca, o fármaco que deve ser pedido na farmácia. .Existem situações em que podem surgir outros medicamentos com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem iguais e com a mesma indicação terapêutica que o medicamento original que serviu de referência. Estes medicamentos são chamados genéricos. A sua biodisponibilidade (a fracção de medicamento que chega ao sangue) é idêntica, dentro de parâmetros definidos internacionalmente, e, por isso, são considerados bioequivalentes. São medicamentos similares e os seus efeitos, no que respeita à eficácia e segurança, são essencialmente iguais. .Os genéricos são, pois, o mesmo medicamento vendido a um preço muito menor. O mesmo efeito mas mais barato. Simples, não é? Existe inúmera literatura que comprova os efeitos terapêuticos dos medicamentos genéricos. Na maioria das situações, os medicamentos originais são substituíveis por genéricos e os genéricos são intermutáveis. .Existem normas usadas na UE para avaliar os medicamentos e garantir a sua igualdade química que o Infarmed segue escrupulosamente. Tudo o que for dito desconsiderando o papel do Infarmed na avaliação de genéricos é falso, despudorado e quase sempre eivado de interesses que não ignoramos. O Infarmed encontrava-se, em 2010, no quinto lugar nos procedimentos de avaliação (entre as 27 agências da UE). O laboratório de controlo de qualidade do Infarmed é o segundo mais solicitado a nível europeu, após o alemão. Não há dúvidas sobre a qualidade dos genéricos que são vendidos em Portugal. São seguros e eficazes..O mercado de genéricos em Portugal é ainda muito limitado na sua abrangência. Precisamos de mais genéricos. .O Governo apresentou uma proposta de lei que permitirá um maior acesso aos genéricos. A prescrição por DCI passou a ser obrigatória. Era preciso dar aos cidadãos a possibilidade de escolherem medicamentos genéricos, iguais aos originais mas com preço acessível. .O actual mecanismo de comparticipação favorece o cidadão, não o Estado, quando for comprado um genérico. Para o Estado, a comparticipação é fixa. Para o utente que paga a diferença, comprar genérico é quase sempre mais barato. Basta perguntar na farmácia qual o medicamento mais barato e escolher esse. A palavra-chave é ESCOLHER..Queremos uma maior participação de cada cidadão nas escolhas que todos temos de fazer. A prescrição por DCI que passará a ser a norma em Portugal é, acima de tudo, um sinal de respeito para com os cidadãos e mais uma demonstração da nossa vontade inabalável de cumprir com o Programa do Governo..Tal como podem confiar nos medicamentos, sejam eles de marca ou genéricos, devem os nossos utentes confiar nos médicos e farmacêuticos que os servem. .Nunca desistiremos de prosseguir na construção de uma sociedade melhor, com mais saúde, com um sistema de saúde que possamos duradoiramente sustentar..De uma vez por todas... convençam-se os descrentes de que a prescrição por DCI será uma realidade. Os Portugueses merecem.