Na década de 80, com a sua Brass Fantasy, o trompetista Lester Bowie aproximou o jazz do repertório pop contemporâneo. Com estes músicos, e até à data da sua morte, em 1999, gravou canções popularizadas por intérpretes como as Spice Girls, Michael Jackson, Marilyn Manson ou Frank Sinatra. É este universo que inspira o colectivo Dave Douglas & Brass Ecstasy, que pelas 21.30 de hoje toca no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), no arranque da segunda semana do 26.º Jazz em Agosto. .Dave Douglas, que na década de 90 acompanhou o compositor John Zorn no quarteto Masada, é um dos mais importantes trompetistas do jazz moderno, colhendo elogios tanto dos sectores mais conservadores como dos mais vanguardistas. Foi nomeado para os Grammys em mais de uma ocasião, apesar de nunca ter sido distinguido, e ao longo dos anos colheu muitos outros prémios. Edita em nome próprio desde 1993 e hoje é o patrão da sua própria editora, a Greenleaf, que este ano lançou o primeiro disco de Dave Douglas & Brass Ecstasy, Spirit Moves..A Brass Ecstasy, com Vincent Chancey na trompa, Marcus Rojas na tuba, Luis Bonillo no trombone, Nasheet Waits na bateria e, como não podia deixar de ser, o trompete de Dave Douglas, estreou-se no Chicago Jazz Festival de 2008. Foi aí que declararam o seu apoio ao então candidato presidencial Barack Obama, no tema Chicago Calling: Bowie, Barack and Brass. No espaço de um ano, gravavam um primeiro disco, que agora trazem a Portugal, no qual evocam as brass bands de outros tempos, enquanto interpretam temas como I'm So Lonesome I Could Cry, de Hank Williams, ou This Love Affair, de Rufus Wainwright..E isto é só a primeira noite. No segundo (e último) fim-de-semana do Jazz em Agosto passarão ainda pela Fundação Gulbenkian o jovem trompetista Peter Evans (a solo amanhã, e em quarteto no sábado) e o supergrupo Buffalo Collision, com Tim Berne (saxofone), Hank Roberts (violoncelo), Ethan Iverson (piano) e Dave King (bateria), que actua amanhã. Ou Bill Dixon e a Exploding Star Orchestra, de Rob Mazurek que, pelas 21.30 de domingo, encerram o cartaz menos convencional de um festival que continua a mostrar "as expressões inovadoras do jazz", nas palavras do programador Rui Neves.