Com metade do campeonato já disputado (17 jornadas), foram seis os clubes que já mudaram de treinador nesta época na I Liga. À exceção de José Gomes, que deixou o Rio Ave por iniciativa própria para abraçar o projeto do Reading, da II Liga inglesa, todos deixaram o cargo na sequência de maus resultados. José Mota foi o último, nesta quarta-feira, na ressaca da eliminação do Desportivo das Aves na Taça de Portugal e dias depois da descida ao último lugar. Para o seu lugar entrou Augusto Inácio..Olhando para os dez primeiros classificados do ranking UEFA, a I Liga portuguesa está na média europeia, com precisamente o triplo das mudanças da liga alemã e metade das da liga turca. Se na Alemanha apenas o Estugarda e o Bayer Leverkusen promoveram chicotadas psicológicas, na Turquia o mais fácil é referir os nomes dos clubes que não o fizeram: Basaksehir, Trabzonspor, Malatyaspor, Galatasaray, Antalyaspor, Besiktas e Bursaspor. O Fenerbahçe, que ocupa um surpreendente penúltimo lugar do campeonato, já correu com dois treinadores, ambos holandeses: Phillip Cocu e Erwin Koeman..De resto, todas as principais ligas andam entre as quatro e as sete mudanças entre o início da época e até janeiro. Em Inglaterra, Rússia e Ucrânia há mais tolerância do que nos países latinos e na Bélgica. Na Premier League, além de José Mourinho, do Manchester United, saíram Slavisa Jokanovic do Fulham, Mark Hughes, do Southampton, e David Wagner, do Huddersfield. Nos dois países do leste europeu, registaram-se cinco mudanças em cada - no campeonato ucraniano duas foram protagonizadas por um português, José Morais, que substituiu Oleh Boychyshyn e entretanto já foi substituído por Fabri no comando do Karpaty..Por falar em portugueses, já nesta época foram despedidos dois na liga francesa, Miguel Cardoso (Nantes) e Leonardo Jardim (Mónaco), que fizeram companhia a Gustavo Poyet (Bordéus), Antoine Kombouaré (Guingamp), Sabri Lamouchi (Rennes) e Olivier Dall'Oglio (Dijon). Igualmente meia dúzia de alterações ocorreram em Espanha, com as saídas de Leo Franco (Huesca), Julen Lopetegui (Real Madrid), Antonio Mohamed (Celta Vigo), Eduardo Berizzo (Athletic Bilbao), Javier Calleja (Villarreal) e Asier Garitano (Real Sociedad), tendo Miguel Cardoso aproveitado para assumir o cargo de treinador do Celta. Na Bélgica também se registaram seis mudanças, no Mouscron, Gent, Lokeren, Waasland-Beveren, Kortrijk e Anderlecht..Nas cinco principais ligas europeias, a italiana é a recordista de movimentações nos bancos, com sete até ao momento e a particularidade de dois clubes já terem realizado duas mudanças: o lanterna vermelha Chievo, que viu Lorenzo D'Anna e Gian Piero Ventura saírem; e o mais desafogado Génova, com Davide Ballardini e Ivan Juric a não resistirem. Aurelio Andreazzoli (Empoli), o ex-Belenenses Julio Velázquez (Udinese) e Moreno Longo (Frosinone) foram os outros treinadores que foram despedidos ou apresentaram pedido de demissão..As seis trocas na I Liga.José Peseiro (Sporting): Contratado por Sousa Cintra numa altura em que o clube era governado por uma comissão de gestão, José Peseiro não resistiu a uma derrota caseira com o Estoril da II Liga para a Taça da Liga, já com Frederico Varandas na presidência, numa fase em que os leões estavam a apenas a dois pontos da liderança, com oito jornadas decorridas. Tiago Fernandes ocupou o cargo de forma interina em três jogos em todas as competições antes de Marcel Keizer assumir funções..Cláudio Braga (Marítimo): Habituado a lutar por lugares europeus, o emblema madeirense perdeu a paciência com Cláudio Braga após a quinta derrota e o décimo jogo consecutivo sem vencer, que culminou numa humilhante eliminação da Taça de Portugal nos Barreiros, aos pés do Feirense (0-3), numa fase em que a equipa estava apenas um ponto acima da zona de despromoção, à 10.ª jornada. Petit foi o substituto escolhido..Daniel Ramos (Desportivo de Chaves): Depois de ter lutado pela Europa até perto do fim do campeonato na época passada, Daniel Ramos não conseguiu dar sequência ao bom trabalho efetuado por Luís Castro e acabou por ser despedido após uma derrota à 12.ª jornada no Jamor, com o Belenenses, a sexta seguida no campeonato. Acabou rendido por Tiago Fernandes, que se tinha despedido do comando interino do Sporting precisamente após uma vitória sobre os flavienses..José Gomes (Rio Ave): A única mudança que não se deveu aos maus resultados. É certo que os vila-condenses estavam a iniciar uma fase menos positiva quando se deu a troca, mas a saída de José Gomes deveu-se exclusivamente à vontade de rumar a Inglaterra para treinar o Reading, do segundo escalão. Daniel Ramos, que ainda não estava há um mês no desemprego, foi o substituto escolhido..Rui Vitória (Benfica): Determinadas em reconquistar o título nacional, as águias deixaram fugir o FC Porto na liderança da I Liga e voltaram a falhar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Rui Vitória esteve por um fio após uma goleada sofrida em Munique às mãos do Bayern (1-5), a 27 de novembro, mas o presidente Luís Filipe Vieira viu uma luz que aguentou o técnico mais um mês no cargo. Uma derrota em Portimão (0-1), na 15.ª jornada, foi a gota de água. Bruno Lage assumiu o cargo inicialmente de forma interina, mas já foi anunciado como aposta em definitivo..José Mota (Desportivo das Aves): José Mota alcançou duas proezas que nunca alguém tinha conseguido para o clube da Vila das Aves: conquistar a Taça de Portugal e assegurar a permanência. No entanto, terminou a primeira volta no último lugar da I Liga e poucos dias depois, nesta terça-feira, foi eliminado na prova rainha do futebol português, o que lhe ditou a saída..Menos mudanças na I Liga só em 2013-2014.À primeira vista, seis trocas de treinadores no final da primeira volta (17 jornadas) pode parecer um número exagerado. Mas, comparativamente às últimas épocas na I Liga, nem são assim tantas. Aliás, tendo como ponto de referência as alterações entre o início da época e o mês de janeiro, só em 2013-2014 houve menos mudanças. Nem todas as mexidas tiveram por base despedimentos devido aos maus resultados. Em algumas situações aconteceram porque os treinadores foram alvo de propostas de outros clubes..Na temporada transata, até janeiro, existiram oito trocas de técnicos nos clubes do escalão principal do futebol português (sem contar com os interinos). Miguel Leal, em setembro, foi o primeiro a saltar, sendo rendido no Boavista por Jorge Simão. Seguiram-se Ricardo Soares (Aves), Pedro Emanuel (Estoril), Vasco Seabra (P. Ferreira), Manuel Machado (Moreirense), Lito Vidigal (Desp. Aves), Petit (P. Ferreira) e Domingos Paciência (Belenenses)..A época 2016-2017 ficou marcada pelo enorme número de alterações no comando técnico das equipas nacionais na primeira volta do campeonato. No total, entre agosto e janeiro, houve 12 mudanças nos bancos das 18 equipas. O brasileiro Paulo César Gusmão abriu as hostilidades logo a meio de setembro, deixando o Marítimo. Depois seguiram-se mais 11 alterações: Erwin Sánchez (Boavista), Julio Velásquez (Belenenses), Nuno Capucho (Rio Ave), Pepa (Moreirense), Carlos Pinto (P. Ferreira), Fabiano Soares (Estoril), José Peseiro (Sp. Braga), Jorge Simão (Desportivo de Chaves), José Mota (Feirense), Manuel Machado (Nacional) e Petit (Tondela)..Em 2015-2016, o campeonato português registou oito alterações do início da temporada até ao mês de janeiro. José Viterbo foi primeiro a deixar o banco, na Académica, logo em setembro. Depois mais sete mudanças. Armando Evangelista (V. Guimarães), Vítor Paneira (Tondela), Petit (Boavista), Rui Bento (Tondela), Ricardo Sá Pinto (Belenenses), Julen Lopetegui (FC Porto) e Ivo Vieira (Marítimo)..Oito foram também as mudanças nas equipas registadas no mesmo período na temporada 2014-2015, com a particularidade de a primeira ter ocorrido logo no mês de agosto, com João de Deus a deixar o Gil Vicente. As outras foram: Ricardo Chéu (Penafiel), Domingos Paciência (Vitória de Setúbal), Paulo Sérgio (Académica), Leonel Pontes (Marítimo), José Couceiro (Estoril), Rui Quinta (Penafiel) e Lito Vidigal (Belenenses)..Chegamos depois a 2013-2014, que nos últimos anos foi a época com menos mexidas nos comandos das equipas da I Liga entre agosto e janeiro, com cinco treinadores a deixarem os respetivos lugares de trabalho: Van der Gaag (Belenenses), José Mota (V. Setúbal), Abel Xavier (Olhanense), Costinha (P. Ferreira) e Paulo Alves (Olhanense).