Pomar possui, neste período, conhecimento dos movimentos artísticos do século XX - refere Marcelin Pleynet -, sublinhando a importância do cubismo, sendo ainda evidente a influência dos pintores como Thomas H. Benton, os muralistas Portinari, Orozco e Rivera. Não existe, por outro lado, ruptura na sua produção pictórica a não ser com o goyesco Maria da Fonte, em 1957, quadro que não se distancia dos propósitos de intervenção social, mas realiza a mudança de linguagem: «Tudo se sucede numa situação de ruptura constante sem cortes radicais», afirma Alexandre Pomar..Aliás Maria da Fonte surgira enquanto tema entre as ilustrações desenhadas (1955-1957) para O Romance de Camilo, de Aquilino. A prática de Pomar neste domínio - relembrem-se Guerra e Paz, de Tolstoi, ou D. Quixote, de Cervantes, entre outros - dará origem, esclarece o organizador, aos ciclos sobre temas literários e mitológicos: «A Maria da Fonte sai da literatura. Já não se trata da realidade vista, mas do imaginário a funcionar», comenta..Pomar declara-se, entretanto, em 1964, «o contrário de um pintor abstracto». E na verdade, toda a teorização da crítica havia ido, a partir de 50, no sentido não só da batalha entre surrealistas e neo-realistas, como da abstracção enquanto dado inevitável, sendo que a figuração estaria condenada, o que não aconteceu. Ignorava-se, esclarece o crítico, a originalidade do neo-realismo português no período 1945-1947..Sublinhada fica, a partir de 60, a faceta do espectáculo. As corridas de cavalos, os combates de catch são exercícios de estilo. Os rugbys, situações de enfrentamento de corpos, na opinião de A. Pomar, o que se relaciona com as fases eróticas. Acrescenta: «Nos Maios 68, a pincelada solta e gestual transforma-se no plano liso e de cor. A agitação tumultuosa das figuras dá lugar ao recorte das formas.» Com eles, e após recolha de elementos biográficos, uma fotobiografia, uma listagem de exposições, uma bibliografia e um índice alfabético das obras, se encerra este Catálogo, o de um pintor que tem pensado a arte não apenas como fabricante, mas como teórico.