Crónica de afetos movediços

Loucamente, Paolo Virzì
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A loucura é bela na Toscana. Esta é talvez a primeira impressão que guardamos do filme de Paolo Virzì, centrado nas figuras de Beatrice (Valeria Bruni Tedeschi) e Donatella (Micaela Ramazzotti), duas mulheres internadas numa instituição psiquiátrica - na aprazível região italiana - com uma galáxia de diferenças a separá-las, e uma amizade indomável a juntá-las para a odisseia das suas vidas.

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Tedeschi, essa brilhante atriz, no domínio absoluto de uma insanidade chique, e Ramazzotti, na mais comovente fragilidade, são, assim, as pérolas dramáticas de Loucamente, sustentando uma envolvente dinâmica de fuga, diversão e melodrama. Fora do sanatório, elas vão à procura de quem marcou o seu passado e da liberdade bravia, turbulenta, que resulta num conjunto de situações, ora de hilariante comédia ora de profunda tragédia familiar.


Ancorado na tradição popular do cinema italiano, o filme de Virzì consegue um lugar especial entre as produções ligeiras mais recentes, pela maneira como observa as idiossincrasias de um contexto social, e da própria Itália. Aqui, a sensatez filma a loucura.

Classificação: *** Bom

Diário de Notícias
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