Critérios apertados para medicamentos caros

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Cancro. Novos tratamentos apostam no prolongamento da vida

"Há hospitais que dificultam a cedência de medicamentos mais caros". A afirmação é do presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH), Pedro Lopes. No centro da discussão está o Bevazicumab, ou Avastin, indicado no tratamento dos cancros colo-rectais, do pulmão, da mama e das células renais.

O Bevazicumab faz parte de uma nova geração de medicamentos, fruto da engenharia genética e muito caros. O seu elevado preço reflecte os anos de pesquisa gastos no seu de-senvolvimento, garante o fabricante, mas alguns, inclusive na indústria farmacêutica, já começaram a questionar a relação custo-benefício. Roy Vagelos, um antigo executivo da Merck, disse recentemente que se preocupava com um medicamento que custa 50 mil dólares por ano e acrescenta quatro meses de vida."Há uma disparidade enorme entre o valor e o preço e não é sustentável", disse, citado pelo The New York Times. Em Portugal, é comercializado pela farmacêutica Roche. É de uso exclusivo nos hospitais, e por isso, as unidades têm a possibilidade de negociar o preço com a indústria, explica Pedro Lopes. Uma coisa é certa, é um medicamento caro.

Para o presidente do Conselho de Administração do Hospital Curry Cabral, Manuel Delgado, "mais importante que o preço, é o benefício para o doente": "pode ser quatro meses, pode ser um, se prolongar a vida do doente, sem sacrificar a qualidade deve ser administrado". Manuel Delgado diz que "é verdade que há hospitais que usam critérios mais exigentes" com a escolha de medicamentos, sobretudo quando estão a gastar com medicamentos novos. "São mais exigentes a analisar o custo-benefício, mas considero isso positivo", diz. A posição da Associação de Administradores Hospitalares, explica Pedro Lopes, é de que "o prescritor é o médico". Mas "há muito debate à volta do preço da inovação", acrescenta. |

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