No fim de janeiro, a Hersal, uma empresa de construção do grupo CS, liderado por Carlos Saraiva, devia ter começado a fazer pagamentos a empregados e fornecedores mas só uma pequena parcela foi paga, reclamam os representantes das empresas. "Pagaram-me 50 mil euros, devem-me dois milhões", disse ao DN Humberto Peralta, cuja empresa fornecia caixilharia e alumínios aos hotéis CS. .Os cerca de 100 milhões de dívida às 89 empresas resultam de um acordo entre fornecedores e grupo CS, depois da sua gestão ter sido entregue à banca, em que os credores aceitavam perdoar 50% da dívida. "O que nos disseram é que ou assinavámos o acordo ou a empresa ia para insolvência e nós ficávamos sem nada", resume Bruno Carneiro, diretor de produção da STD, empresa que tem uma dívida de 1,4 milhões para saldar. Os acordos assinados previam pagamentos no fim de dezembro, depois em janeiro e neste momento, diz outra pessoa, existem negociações para estender o prazo. .As empresas garantem que ainda não sabem se irão organizar-se em grupo para cobrar a dívida, mas há pelo menos 10 processos em tribunal exigindo penhoras ou a insolvência da Hersal - Investimentos Turísticos. .Um dos processos de penhora a correr em tribunal foi interposto por Humberto Peralta, cuja empresa, Perfiltauro, trabalhou para Carlos Saraiva mais de 20 anos e em Outubro se viu forçado a despedir os 14 empregados e a fechar as portas. .As dívidas começaram a acumular-se há mais de um ano, dizem os fornecedores. "Os cheques pré-datados eram devolvidos e diziam-nos que não tinham provisão"..Em dezembro, quando as dívidas a empregados e fornecedores já eram uma realidade, o grupo informou que tinha concretizada a restruturação financeira do grupo através de um acordo com o BES, Millenium e Banco Popular. .O DN ainda não conseguiu chegar à fala com o grupo CS.