Há alguma relação entre uma estação de comboio cheia e a forma como se tomam decisões? Sim, e as cotoveladas que os passageiros dão uns aos outros até podem servir de enquadramento a estudos sociais que explicam a forma como as pessoas são influenciadas em determinadas decisões..Chama-se a "teoria da cotovelada" a tese desenvolvida pelo economista Richard Thaler, recebeu o Prémio Nobel da Economia em 2017, e pelo professor em Harvard Cass Sunstein, e que defende que "cotoveladas suaves" podem influenciar as pessoas em direção a decisões importantes para os seus interesses (ou da sociedade), como aceitar a doação de órgãos, explica o site Citylab..Esta publicação lembra ainda que no Reino Unido existe mesmo um departamento do governo cujo trabalho gira em redor desta ideia: o Behavioural Insights Team..O site Citylab dá o exemplo da estação de comboio da capital japonesa Tóquio em que milhares de passageiros parecem circular no caos, num constante ombro-a-ombro num meio da partida e chegada de composições. Mas, numa observação mais atenta, pode-se ver que as pessoas movem-se de forma regular nas plataformas e corredores. E nada disso prejudica a circulação dos comboios nem os horários..Aliás, num meio de transporte que é utilizado por cerca de 13 mil milhões de passageiros anualmente, a pontualidade é de tal forma que a 11 de maio a empresa de caminhos-de-ferro West Japan pediu desculpas por um dos seus comboios terem saído da estação 25 segundos mais cedo do que previsto..No que diz respeito à manipulação do comportamentos há um outro exemplo de como se podem desenvolver as capacidades humanas. Em 2016, o operador de metro de Londres fez uma parceria com a London School of Economics para desenvolver formas de incentivar as pessoas a colocarem-se lado a lado nas escadas rolantes de forma a aumentar a sua capacidade..E na Austrália, investigadores realizaram uma experiência com sinalização de direções iluminadas em postes que ajudaram a melhorar o fluxo de passageiros num aeroporto..Azul tem efeito calmante no humor.Quando se fala em manipulação psicológica no Japão um dos temas que surge é o dos suicídios. O país tem uma das maiores taxas da OCDE e há muitas pessoas que saltam para as linhas de metro. Para evitar isso, muitas estações em Tóquio instalaram barreiras como meio de prevenir o suicídio, mas estas estruturas são caras e na grande maioria das estações não tem espaço nas plataformas para colocar este equipamento..Uma das alternativas passa por confiar que a tese de que a exposição à luz azul tem um efeito calmante sobre o humor, algumas estações ferroviárias japonesas instalaram em 2009 painéis LED como medida de prevenção dos suicídios. Essas luzes estão localizadas nas extremidades de cada plataforma e esta abordagem tem dado resultados positivos. Segundo um estudo de 2013, feito por investigadores da Universidade de Tóquio, registou-se uma redução de 84% do número de tentativas de suicídio em estações onde as luzes azuis estavam instaladas quando se comparavam com os dados recolhidos em estações onde não existia este sistema..Também há quem defenda que a música ajuda a evitar suicídios e por isso há composições onde é difundida música relaxante que avisa os passageiros da saída ou chegada de um comboio. As estações têm escolhido as suas próprias melodias e há quem escolha músicas como "Seaside Boulevard". Já a estação Ebisu, de Tóquio, tem como melodia a assinalar a saída de um comboio uma versão curta do tema The Third Men.