Miguel Costa Matos: "Isto não vai lá uns contra os outros"

Com Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro na corrida à liderança do PS, apoiantes afastam cisão dentro do partido.
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"Acho que o país precisa de um líder que seja convicto, decisivo e que seja capaz de liderar um novo ciclo de reformas à esquerda e de abertura do partido à sociedade e, naturalmente, aos outros partidos à esquerda", declarou ao DN o deputado do PS Miguel Costa Matos, assumindo o apoio à candidatura de Pedro Nuno Santos como secretário-geral do partido, afastando, porém, um clima de disputa interna entre socialistas.

"Isto não vai lá uns contra os outros, só lá vai uns com os outros", declarou o também secretário-geral da Juventude Socialista, que não esconde que a sua preferência dentro do PS é um diálogo à esquerda.

O atual deputado do PS e ex-ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, formalizou ontem a sua candidatura à liderança do PS, contra a do atual ministro das Administração Interna, José Luís Carneiro, com um leque de apoios que conta com deputados, históricos socialistas, sindicalistas e atuais governantes. Apesar do anunciado diálogo à esquerda por Miguel Costa Matos, Pedro Nuno Santos elegeu como principal apoiante da sua candidatura um membro de uma ala política dentro do PS que não seria a esperada, o atual presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, a plataforma que gere as relações entre Governo, entidades patronais e sindicatos.

Talvez tenha sido por isso que Pedro Nuno Santos tenha optado por utilizar, na cerimónia que oficializou a sua candidatura à liderança do PS, na sede do partido, a palavra "concertação" inúmeras vezes. "O que está em causa não é uma disputa entre a moderação e o radicalismo", disse o antigo governante, mostrando ao que vem, apontando ao centro. De salientar que, ontem, no Largo do Rato, a demonstrar o seu apoio a Pedro Nuno Santos estavam também a atual presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Luísa Salgueiro, os deputados Carlos Pereira, Pedro Delgado Alves e Isabel Moreira, o ministro da Educação, João Costa e o atual líder da Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, entre outros.

"Entendo que o Partido Socialista necessita de uma liderança" mais próxima de "um posicionamento político que seja coerente e que esteja em linha com os valores fundacionais do Partido Socialista, um partido que se tem forte pendor social-democrata, pendor reformista, um partido que seja simultaneamente pragmático, moderado e que seja capaz de estabelecer pontes com todas as áreas do espetro político", e não apenas à esquerda, disse ao DN o antigo ministro da Agricultura Luís Capoulas Santos, que garante o seu apoio à candidatura de José Luís Carneiro . No entanto, salienta, "qualquer um dos dois candidatos" são seus "bons amigos e pessoas que" estima e respeita. No entanto, Capoulas Santos lembra que "mesmo durante o período da chamada geringonça, o PS nunca perdeu a sua autonomia estratégica e a sua posição centrista pró-europeia, pró-atlântica". "É essa linha que eu acho que deve continuar a ser prosseguida, e se há as melhores condições que tem de garantir o seu prosseguimento é, na minha opinião, o José Luís Carneiro", conclui.

vitor.cordeiro@dn.pt

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