Costa de Caparica 'enxertada' a pedra para proteger a praia

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É uma intervenção diferente daquelas que têm sido levadas a cabo nos areais da Costa, mas o objectivo é o mesmo: obrigar as ondas a rebentar o mais atrás pos- sível para preservar o ameaçado cordão dunar da praia de São João, que já deixou o mar revolto chegar ao parque de campismo do Inatel. Em lugar do enchimento artificial de areia, realizado em 2008 e 2009, o Instituto da Água (Inag) vai abrir fundações ao longo de 70 metros, para encher de pedras, que serão depois tapadas com a areia da própria praia.

O projecto, orçado em 276 mil euros, estará concluído em Janeiro de 2011. Ontem, já estavam no terreno as máquinas para dar início às obras entre o último paredão a norte da Costa de Caparica e as imediações do Bar Pé Nu, que, no Inverno de 2008 , sentiu na sua estrutura de madeira a força das marés vivas, ficando em perigo de derrocada.

"Com esta intervenção a praia fica favorecida. Em dias de mau tempo o mar já vai por ali fora, entra na mata e destrói o cordão dunar, porque foi aberto um buraco pela erosão", diz o proprietário do estabelecimento, Carlos Pereira. O presidente da Junta, António Neves, resume ser por esta razão que as obras "já deviam ter avançado", como em tempos reclamou a freguesia. "Agora será uma emergência para garantir que não há um agravamento", sublinha o autarca.

A intervenção consiste no prolongamento da obra aderente para norte, a partir do último esporão, confirmando António Rodrigues, o responsável do Inag pela empreitada, tratar-se de uma "zona crítica", justamente onde termina a estrutura em pedra e começa a praia de São João. "Vamos fazer um prolongamento mergulhante no areal para tentarmos resolver ali um problema pontual, em que o mar "comeu" parte do cordão dunar", revela ao DN.

António Rodrigues adianta que este projecto não é comparável aos dois enchimentos artificiais de areia, que só podem ser realizados durante a época de Verão e com o mar mais calmo, uma vez que não há lugar a dragagens. "Aqui vamos minimizar o ataque do mar numa zona concentrada, para evitar o impacte ambiental, mas funcionando como defesa da costa, alargando as dunas e suavizando a fase de transição entre a pedra e a areia. A última coisa que queremos é que se rompa o cordão dunar", refere.

No próximo ano, o Inag vai voltar às praias da Costa para proceder a nova alimentação artificial de um milhão de metros cúbicos de areia, depois dos dois milhões distribuídos entre 2008 e 2009.

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