Crise. Já foram gastos 10,7 milhões de euros, entre 2004 e 2008, em campanhas internacionais de promoção da cortiça. Mesmo assim, as rolhas de plástico e as cápsulas de alumínio continuam a conquistar terreno. Com a retracção dos mercados e a desvalorização do dólar, a situação é mais difícil do que nunca.A indústria de cortiça está a braços com um dos piores momentos da sua história. À desvalorização acelerada do dólar nos últimos anos, acarretando fortes perdas para um sector que exporta mais de 90% do que produz, juntou-se de forma dura a crise económica, com a consequente retracção dos mercados e quebra nas exportações. E o resultado foi que o sector, que desde 2000 se via a braços com a queda constante de valor das suas vendas, não resistiu. O segundo maior grupo corticeiro, a Suberus, pediu a insolvência e o maior, a Amorim, anunciou o despedimento colectivo de 193 trabalhadores. Está a guerra aos vedantes alternativos em risco de ser perdida? .A indústria de cortiça representa aproximadamente 0,7% do produto interno bruto nacional, 2,3% do valor das exportações totais portuguesas e cerca de 30% do total das exportações de produtos florestais. No entanto, o sector atingiu o pico do seu crescimento em 2000. Desde então, a tendência tem sido de queda. "Crescemos nas quantidades exportadas, fazemos é muito menos dinheiro nas nossas exportações", diz Joaquim Lima, director-geral da Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor). É o resultado também de uma muito agressiva política de pressão sobre os preços por parte do sector vitivinícola, diz. .Este responsável considera que "no geral os vedantes alternativas não estão a ganhar a guerra à cortiça". Mas admite que há excepções. E a Austrália é uma delas. Cerca de 90% dos vinhos australianos usam vedantes de rosca metálica, os screwcaps, razão por que este é um mercado que é olhado "com muito respeito" porque é "um caso dramático". Terá sido a excessiva dependência da Suberus do mercado australiano, do qual era líder, e a sua incapacidade de o compensar com outros que terá suscitado os graves problemas financeiros que o grupo enfrenta. .O objectivo do sector é evitar que o exemplo da Austrália venha a ser seguido pelo Novo Mundo vitivinícola, como os EUA, África do Sul, Chile e Argentina. Mercados que, no seu conjunto, asseguram a quota de mercado global de 30% dos vedantes alternativos. Além da rosca metálica, há também os vedantes de plástico. .Joaquim Lima admite que 30% é uma quota que pressupõe já "uma situação grave" e que obriga a um esforço adicional de comunicação. Até ao momento, o sector realizou já três fases da Campanha Institucional da Cortiça (CIC). A primeira, no valor de 8,5 milhões de euros, decorreu nos anos de 2002 a 2004 em dez países europeus e do Novo Mundo vitivinícola, como a Argentina, Chile, África do Sul e Nova Zelândia. A segunda, que contou com o rosto de Mourinho, então treinador do Chelsea, custou 1,6 milhões e abarcou ainda a Austrália e o Reino Unido. Por fim, a última terminou no ano passado e centrou- -se exclusivamente em França e na Alemanha. Custou 600 mil euros. .Perspectivada está já a quarta edição da CIC. Orçada em 3,5 milhões de euros, abordará os mercados da França, Alemanha, Itália, Reino Unido e EUA. A candidatura foi já submetida ao QREN. Para além da publicidade, muita da campanha passa por trazer opinion makers a Portugal para conhecer o sector, o montado de sobro, a extracção de cortiça e a indústria.|