Por entre o fumo que invadiu os pavilhões do Lisboa Social Mitra, Gonçalo Peixoto apresentou a sua mais recente coleção "Sometimes I Just Wanna Kiss Girls" e fechou com chave de ouro o penúltimo dia da 60.ª ModaLisboa Core, este sábado..Ao som da cantora espanhola Rosalía, o designer natural do Porto fez sobressair as suas criações para o próximo outono/inverno marcadas por muita transparência, rendas, veludos, correntes, laços e tons mais sombrios, assentes sobretudo no vermelho e preto. Mas não se deixe enganar, esta coleção não foi feita de melancolia. Pelo contrário, as peças brilhantes, perfeitas para uma festa, foram sem dúvida o ponto alto do desfile..Se por um lado, os blazers e puffer jackets oversized contrastaram com vestidos e saias justas que fazem jus à silhueta do corpo feminino, por outro, o "inverno" de Gonçalo Peixoto destacou os óculos de sol como principal acessório..Depois desta coleção uma coisa é certa, ainda que com um conceito mais sóbrio e coeso, o jovem designer promete continuar a inovar e surpreender.."E isto era tudo do casamento", ouve-se em gravação antes do desfile começar na Lisboa Social Mitra. Esta voz pertence à avó de Joana Duarte, o nome responsável pela criação do projeto Béhen. A nova coleção da marca, O Deus das pequenas Coisas, presta atenção aos pormenores através de materiais e nas técnicas que atravessam gerações em Portugal..As peças foram feitas com técnicas tradicionais portuguesas como bordado da Madeira, de Arraiolos, bordado a vidrilho de Viana do Castelo, tecelagem de São Jorge, chita de Alcobaça, estampado digital sob linho, arte chocalheira, entre outros..Alguns dos manequins, femininos e masculinos, usaram malas de pão no desfile e outros estampados com imagens de arquivo do fotógrafo português Jorge Barros, que ao longo da sua vida registou com a sua câmara festas e tradições portuguesas..Para a próxima estação fria, e inspirado no toque, Luís Carvalho criou uma coleção com uma modelagem fluida e de formas orgânicas. O estilista não quis deixar de manter o ADN da marca que criou nos últimos anos e por isso manteve as linhas retas e oversized, baseadas na alfaiataria com peças clássicas como blazers e gabardines. Luís Carvalho criou também alguns vestidos, tanto curtos como compridos, que se movimentam com o corpo de quem os veste..As cores utilizadas nesta coleção mantiveram-se entre o preto, castanho-mel, areia, cru, verde-cáqui e cinzento, trabalhadas em materiais como fazenda, brocado, tafetá, sarja e popelina.."É como tudo começou... com o fúcsia, os mikados e tafetás, peças extremamente exageradas, grandes e com muitos folhos". É assim que Vera Fernandes, também conhecida como Buzina, explica ao DN a coleção apresentada na ModaLisboa.."Esta coleção parte do mote de "buzinificar", ou seja, pegar em peças e matérias-primas que já aconteceram noutras coleções e elevá-las ao quadrado. Fazer um exagero de tudo o que tem vindo a acontecer", completa..Na passarela, as modelos femininas usam as cores: rosa, azul, verde, terracota e branco em peças largas quase flutuantes. Os materiais utilizados pela estilista são viscose, tafetá e cetim. Estas peças são de tamanho único, mas servem a qualquer tipo de corpo feminino..A imagem da girafa esteve presente neste regresso à semana da moda, que é considerado pela estilista um símbolo da mulher Buzina. Enquanto numa das suas coleções anteriores, "WHiM", "elas transpareciam paz e serenidade", "aqui surgem de forma estridente, irritante, com muita cor, muita confusão e muito frenéticas", diz a designer..No final do desfile, Vera Fernandes não veio sozinha, surgiu na companhia do seu "braço direito". "Levei a Salomé, porque entendo que o trabalho criativo é muito importante, mas a execução desse trabalho também é, e depois destes anos todos, dar palco e mostrar que pessoas estão por trás da marca é muito importante", afirmou..Luís Buchinho trouxe de volta os anos 1990 para a passerelle com cores, silhuetas e formas geométricas. Uma coleção mais desportiva em que casacos insufláveis e kispos reinam. Começando o desfile com cores mais neutras como cinzento preto, as peças acabou por mostrar cores mais fortes como o amarelo, vermelho e alguns estampados coloridos..Os materiais utilizados pelo estilista para a sua nova coleção foram principalmente flanelas e veludos de lã. Alguns dos modelos usavam óculos, uma nova aposta do Luís Buchinho numa coleção de eyewear para o inverno igualmente inspirada nos anos 90..Os modelos femininos que pisaram a passerelle usavam peças de ourivesaria. Uma coleção exclusiva intitulada A ave e o Ovo que junta Luís Buchinho e o grupo de ourivesaria Alcino. Foram desenvolvidas pelo estilista peças como anéis, pulseiras, brincos e colares com forma de ovos, aves e penas..Além destes designers, o terceiro dia da ModaLisboa contou ainda com desfiles de Constança Entrudo e Ema Gaspar, IED Graduates, Mustique e a ausência de Kolovrat. Para hoje, esperam-se as novas coleções de João Magalhães, Duarte, Hibu, Carlos Gil, Nuno Gama, Nuno Baltasar, Dino Alves e Luís Borges..ines.dias@dn.pt.mariana.goncalves@dn.pt.sara.a.santos@dn.pt