Se contar histórias é uma arte, porque não privilegiar na grande tela esse artista que é o contador?.Raras vezes o cinema torna visível a sua presença, concedendo-lhe, numa ou noutra, a omnisciência através do recurso à voz off. Ainda assim, nessa categoria de Deus, não sai da ocultação. Ora o que encontramos em Maravilhoso Boccaccio, dos irmãos octogenários Paolo e Vittorio Tavianni, é o inverso dessa lógica, procurando-se, além das histórias em si, a beleza da circunstância de contar. Inspirado no livro Decameron, de Giovanni Boccaccio, que originou a vibrante obra homónima de Pasolini, o filme dos Tavianni inscreve-se em imagens mais suaves, com a centelha da pintura renascentista, que começam por revelar Florença, em 1348, dizimada pela peste..[youtube:QGajjtqe_ns].Nesta conjuntura, um grupo de sete mulheres e três homens decidem refugiar-se numa casa de campo, onde cada um é incumbido de contar uma história de amor, como entretenimento coletivo. E o que daqui advém é um deleitoso encadeamento de narrativas, que, mesmo não se constituindo o melhor dos Tavianni, alcança um poder natural de encantamento..Classificação: ***