A Universidade Lusófona (UL) foi a segunda privada com denúncias de gestão danosa, fraudes e até tráfico de armas. O escândalo rebentou em 1996 e, a exemplo do que tinha acontecido na Moderna, começou por ser uma guerra de poder. Teresa Costa Macedo, uma das sócias fundadoras, foi expulsa. E o mesmo aconteceu com Nóbrega Ascenso, gestor do pólo de Portimão. Abriu-se o baú das acusações e multiplicaram-se os processos judiciais. Tudo acabou com o acordo das partes e o pagamento de indemnizações. Não confessam os valores..A UL é actualmente um dos maiores estabelecimentos privados do País, com 12 mil alunos. "Todos os problemas que tivemos foram sendo ultrapassados e ficámos mais fortes", diz Manuel Damásio ao DN. O administrador da Lusófona esteve no centro do conflito, mas sublinha que tudo foi resolvido há cerca de dois anos, referindo-se provavelmente aos processos instaurados por Teresa Costa Macedo e António de Oliveira Martins, sócios fundadores da Cooperativa de Formação e Animação Cultural (COFAC), constituída em 1986 para gerir a UL, e que foram expulsos em 1996. Já o acordo com Ascenso Nóbrega ainda pode ter retrocessos, apurou o DN..Chegou a dizer-se que Costa Macedo e Oliveira Martins tinham pedido dez milhões de euros de indemnização. Isto porque o Supremo Tribunal de Justiça lhes deu razão ao exigirem uma indemnização por terem sido afastados sem justa causa e sem a instauração de um inquérito. O acórdão, de 27 de Outubro de 2000, estipula que a COFAC deveria pagar 250 mil euros aos dois cooperantes. Este foi apenas um das dezenas de processos movidos pela ex--secretária de Estado da Família..Hoje, Teresa Costa Macedo considera que o assunto está encerrado e não quer falar nos montantes envolvidos, parecendo ter esquecido as acusações graves que fez ao actual administrador da Lusófona. Também Manuel Damásio, que chegou a dizer que não pagava qualquer quantia, recusa-se a falar em valores..Nóbrega Ascenso, ex-gestor do pólo de Portimão da Lusófona (Instituto Superior de Matemática e Gestão - ISMAG), encetou em 1996 uma guerra judicial paralela, contestando os métodos de Manuel Damásio e acusando-o de gestão danosa e falência fraudulenta. O actual secretário do Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação acordou recentemente com o administrador da COFAC, mas o problema é que Manuel Damásio se recusa a pagar as custas judiciais. .Acusações.A imagem de sucesso que Manuel Damásio defende hoje era bem diferente há dez anos atrás. Começou a trabalhar na COFAC em 1989 e foi admitido como cooperante um ano depois. Em Dezembro de 1995, surgiram os boatos de gestão danosa por parte de Manuel Damásio no pólo de Portimão, de que era tesoureiro e administrador. .A procura de explicação para tais boatos terá minado as relações entre os órgãos de gestão da UL, e Teresa Costa Macedo e António de Oliveira Martins acabaram por abandonar uma assembleia geral, em 1996. Foram expulsos. Eram os presidentes da direcção e do Conselho Fiscal, respectivamente, e nunca mais entraram na Lusófona..A ex-secretária de Estado da Família iniciou uma batalha judicial, não só nos tribunais, mas também na imprensa, com direito a vários recursos de Manuel Damásio. Entre outras acusações, denunciou suspeitas de favorecimento de juízes e de tráfico de influências por parte do Ministério de Educação, acusando o então ministro, Marçal Grilo, de não intervir. Este abriu um inquérito ao funcionamento da Lusófona, cujas conclusões foram classificadas de "ridículas" por Costa Macedo. .O centro dos processos judiciais foi o ISMAG. Contas em offshore, em nome de Manuel Damásio, esvaziamentos de dinheiro da Ensinalgarve, sociedade gestora do pólo, facturação virtual de equipamentos e desvio de propinas. Houve, ainda, queixas de alteração de estatutos da cooperativa, de irregularidades pedagógicas e penhoras por não pagamento de indemnização. O Ministério Público viria a considerar sem fundamento as suspeitas de gestão danosa e arquivou o processo no início de 2004. Já o afastamento dos queixosos foi considerado ilegal.."Acordámos em todos os processos e colocámos fim ao contencioso", disse ao DN Abel Marques, o advogado de Teresa Costa Macedo e de Nóbrega Ascenso, com uma interrupção pelo meio. "O dr. Ascenso chegou a ter na minha mão 53 processos", exemplificou. |