O automobilista acusado de ter atropelado mortalmente um jovem em Dezembro de 2008, em Leiria, disse hoje não se ter apercebido que a viatura que conduzia tivesse passado por cima da vítima, de 19 anos.."Não me apercebi", declarou Óscar Nogueira, de 33 anos, acusado dos crimes de homicídio qualificado em concurso aparente com crimes de violência depois de subtracção, condução perigosa de veículo rodoviário e omissão de auxílio..Em julgamento no Tribunal Judicial de Leiria estão ainda outros três arguidos pelos crimes de violência depois da subtracção e omissão de auxílio..De acordo com o despacho de pronúncia, a 16 de Dezembro de 2008, um dos arguidos combinou um encontro na Marinha Grande para a aquisição de cem gramas de haxixe, cidade à qual os quatro arguidos se deslocaram com o propósito de obter a droga sem pagar..Nas imediações do campo de futebol, a vítima, Tiago Seiceira, de 19 anos, entregou a droga a um dos arguidos "para que verificasse a qualidade do produto", ocasião em que Óscar Nogueira, "de acordo com o que entre todos tinham acordado, pôs o veículo em marcha e arrancou em direcção a Leiria", sem a droga ter sido paga..Segundo o juiz, a vítima correu então em direcção aos amigos que o acompanhavam, dizendo que o tinham roubado, e pediu a um deles para ir no encalço dos arguidos na sua viatura..Quando o veículo no qual seguiam os arguidos foi imobilizado, a vítima "dirigiu-se à porta do lado do pendura e agarrou-se ao espelho retrovisor direito"..Segundo o despacho, o condutor percorreu cerca de 800 metros, a velocidade não inferior a 60 quilómetros/hora, "ziguezagueando, ao mesmo tempo que fazia travagens bruscas e efectuava acelerações"..A vítima acabou por ser projectada contra o asfalto, mas o automobilista prosseguiu a marcha "passando com o rodado duplo traseiro por cima do corpo", provocando-lhe a morte..Apesar de ouvirem o estrondo, nenhum dos arguidos "providenciou prestação de socorro", refere ainda o documento..O arguido confirmou que a deslocação à Marinha Grande foi com o propósito de obter a droga para si, tendo leva para o efeito 700 euros, justificando o abandono do local porque o grupo foi visto por agentes da PSP..Já quando a sua viatura foi imobilizada pelo veículo em que seguia a vítima, Óscar Nogueira contou que outro arguido revelou que Tiago Seiceira trazia uma arma.."Foi uma confusão tremenda", declarou, explicando que foi o "medo" que fez com que arrancasse novamente com a viatura..O arguido adiantou que quando a vítima se agarrou ao espelho travou "a fundo" para que ela se libertasse, mantendo a marcha sempre na "primeira" mudança e a fazer "travagens bruscas" numa velocidade entre "50, 60" quilómetros/hora numa zona "sem iluminação pública"..O condutor explicou que quando a vítima se libertou do espelho, o mesmo arguido disse que "tinha ficado bem, em pé", atribuindo o estrondo a um contentor que ouviu a um contentor que estava na viatura ou à possibilidade de o veículo que ia no seu encalço ter batido Frisando nunca ter visto o corpo da vítima no chão, o automobilista adiantou que foi também o "medo" que o levou a comunicar aos colegas que ia uns dias para Trás-os-Montes.."Era tráfico de droga. Não sabia o tipo de pessoas com quem estava a lidar", justificou.