Condenado por prevaricação, Álvaro Amaro renuncia a cargo de eurodeputado

Social-democrata reafirmou a sua inocência depois de ter sido condenado pelo Tribunal da Guarda pelo crime de prevaricação. Vai ser substituído por Carlos Coelho no Parlamento Europeu.
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O eurodeputado social-democrata Álvaro Amaro decidiu esta sexta-feira renunciar ao mandato no Parlamento Europeu (PE) na sequência da condenação, pelo Tribunal da Guarda, por prevaricação, que lhe causou "enorme perplexidade e indignação", reafirmando a sua inocência.

"Se bem que o tribunal tenha entendido não me aplicar a sanção acessória de inibição do meu mandato como deputado do Parlamento Europeu, tomei eu próprio a decisão de renunciar a esse mandato, preservando a instituição e o partido pelo qual fui eleito, e não perturbando o normal funcionamento e o trabalho político de ambos", referiu Amaro, numa nota de imprensa enviada à Lusa, onde afirma a sua intenção de recorrer da sentença.

"Repudio uma condenação apoiada numa denominada intenção de beneficiar uma empresa de construção civil com obras que a Câmara de Gouveia não adjudicou nem pagou a tal empresa, e que até preteriu nos concursos públicos que se seguiram para a execução dessas mesmas obras, salientou ainda.

No PE, Álvaro Amaro integrava a Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e a delegação à Assembleia Parlamentar Paritária ACP-UE.

O eurodeputado Álvaro Amaro e o autarca Luís Tadeu, ex-presidente e atual presidente da Câmara de Gouveia, respetivamente, foram hoje condenados a penas de prisão suspensas pelo Tribunal da Guarda no caso das parcerias público-privadas.

O tribunal absolveu o presidente da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues.

Álvaro Amaro e Luís Tadeu foram ainda absolvidos da pena acessória da perda de mandato político, atendendo a que, entretanto, cumpriram "sucessivos mandatos".

O reitor da Universidade de Verão do PSD e antigo eurodeputado Carlos Coelho vai substituir Álvaro Amaro no Parlamento Europeu.

Carlos Coelho era o nome que se seguia na lista de candidatos do PSD ao Parlamento Europeu às últimas eleições europeias, em maio de 2019, e fonte do PSD confirmou à Lusa a assunção de funções pelo social-democrata.

Foi deputado ao Parlamento Europeu pela primeira vez em 1994 e desempenhou o cargo de vice-presidente da Comissão de Política Regional, Ordenamento do Território e Relações com o Poder Local. Carlos Coelho regressou a Bruxelas em 1998, na altura em substituição de António Capucho, tendo voltado a ser eleito no ano seguinte e exercido o mandato de eurodeputado até 2019.

É o responsável máximo da Universidade de Verão do PSD desde a criação deste organismo, foi deputado eleito pelo círculo de Lisboa nas III, IV e V legislaturas, e por Santarém nas duas seguintes. Carlos Coelho também integrou o último Governo de Cavaco Silva, como subsecretário de Estado da então ministra da Educação Manuela Ferreira Leite.

Notícia atualizada às 12:27

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