Condenações apressadas

Publicado a
Atualizado a

Sarah Palin teria provavelmente sido uma péssima vice-presidente norte-americana, bem pior do que Dan Quayle (e se calhar pior ainda do que está a ser Joe Biden, esse burocrata pardacento). Como apresentadora de TV, não sei como é, tão poucas são as oportunidades que tenho tido de vê-la em acção. Mas não deixa de inquietar-me o burburinho internacional que qualquer idiossincrasia do seu Sarah Palin's Alaska sempre é capaz de provocar.

No programa, a meio caminho entre o reality show e o documentário, tomamos contacto com a vida quotidiana do Alasca, esse lugar onde se só vive quem lá nasceu ou para lá fugiu. E, numa das últimas edições, Palin foi à pesca do alabote. Vestiu um fato de borracha, pôs-se à chuva a pescar com os profissionais - e, naturalmente, matou alabotes à bastonada, como fazem os profissionais quando, enfim, desprendem os anzóis da boca dos peixes. Alguma estranheza? Nenhuma. E, porém, a ex-governadora terá dado mais uma prova de que é violenta e rude - e, sobretudo, deixado de novo claro que seria uma má vice-presidente.

É uma tendência que me aborrece. Num tempo de paixões aceleradas, criamos rancores de estimação com a mesma facilidade com que entronizamos ídolos - e, quando há motivações políticas (mesmo das mais tontas, como é o caso), é pior ainda. Sarah Palin ainda tem esperanças de vencer as primárias republicanas para a candidatura em 2012, mas o perigo é mínimo. Quando ao resto, matou alabotes como se deve matar alabotes. E quem quer que alguma vez tenha provado um maravilhoso broiled halibut with zesty peach sauce tem tanta responsabilidade como ela. Eu, por exemplo, tenho.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt