"A condenação do ex-Presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] é um sinal significativo de que o Estado de Direito está a funcionar no Brasil e que não há impunidade, mesmo para os poderosos", afirmou o presidente da ONG, José Ugar, num comunicado divulgado na quarta-feira à noite. .Ugar lembrou que Lula da Silva não é o único político brasileiro envolvido nas investigações de corrupção que estão em curso no país sul-americano. ."O Presidente [do Brasil], Michel Temer, também está a enfrentar acusações de corrupção, assim como o senador Aécio Neves, que concorreu contra a ex-presidente Dilma Rousseff nas últimas presidenciais", disse. ."O Congresso brasileiro e o Supremo Tribunal Federal [STF] também terão que decidir sobre esses dois casos. Eles devem agir com imparcialidade e não deve haver impunidade", acrescentou o responsável da rege global anticorrupção. .Os esquemas de corrupção descobertos pela "Lava Jato", operação policial para os crimes cometidos na petrolífera brasileira Petrobras e em outras organizações públicas do Brasil, já envolveram centenas de políticos e empresários do país..O presidente da Transparency International destacou que o envolvimento de figuras públicas nestes crimes "é a prova de que a corrupção não distingue entre ideologias ou partidos políticos". .José Ugaz frisou que "a Transparency International exige garantias de que as investigações possam prosseguir e que todos os processos judiciais permaneçam independentes e livres de interferências.".Na quarta-feira à tarde, Lula da Silva foi considerado culpado de ter recebido vantagens ilícitas da construtora OAS num processo que investiga a propriedade de um apartamento de luxo no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo. .A sentença foi dada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz os julgamentos em primeira instância da operação "Lava Jato"..O magistrado considerou que Lula da Silva recebeu o apartamento como vantagem indevida para favorecer os interesses da OAS junto do Governo brasileiro, e condenou o político a nove anos e seis meses de prisão..Apesar da sentença, o juiz Sérgio Moro não pediu a prisão do ex-presidente, que vai recorrer da sentença em liberdade..Esta sentença complica as intenções de Lula da Silva de concorrer às presidenciais de 2018, mas até julgado em segunda instância o político, que lidera as intenções de votos em diversas sondagens divulgadas no Brasil, ainda está apto a se candidatar já que a lei brasileira só proíbe candidaturas de políticos condenados em segunda instância.