Como resolver a equação entre alunos e professores

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Há cada vez menos crianças e jovens em Portugal, portanto haverá cada vez menos alunos e estes precisarão de cada vez menos professores. O concurso deste ano é a mais recente prova desta lógica inevitável - 49 mil ficaram de fora.

De resto, a própria ministra da Educação disse ontem que o "nosso sistema de ensino não está em fase de crescimento, pelo contrário, está em fase de retracção".

Esta premissa coloca dois desafios ao Governo: encontrar uma maneira de formar menos professores nas universidades e, seguindo as leis da oferta e da procura, aproveitar para aumentar a qualidade dos profissionais que dão aulas.

O primeiro desafio não é fácil, implica a coordenação com o Ministério da Ciência e do Ensino Superior.

Mas foi também Maria de Lurdes Rodrigues que ontem assumiu que "não há condições para responder às expectativas destes diplomados no ensino".

O segundo é mais importante. A qualidade do ensino degradou-se quando ele se democratizou. Pode-se bem aproveitar o efeito de contracção para o tornar melhor. O ministério já anunciou que no próximo ano haverá uma espécie de provas de aferição para os candidatos a professores. Podem ser a condição dessa melhoria.

A fama da procuradora do Ministério Público Maria José Morgado é maior do que a de todos os outros procuradores ou investigadores - de muitos dos quais o grande público nem sequer conhece os nomes. Dos processos que a ela dizem respeito conhecemos todos os desenvolvimentos, quem faz parte da equipa, quais as mudanças na investigação.

Mas quando o procurador-geral da República dá os casos mais problemáticos à sua estrela da investigação - como foi novamente as suspeitas de corrupção na Câmara de Lisboa - está a usar uma faca de dois gumes.

Por um lado é de elogiar que a meritocracia funcione num país onde há tantas outras "cracias" e "ismos". Isso podia, aliás, contribuir para a criação de um "star-system" - como existe em Espanha ou França - no qual os profissionais de justiça teriam cara e seriam reconhecidos pelo público e devolver-lhe-iam alguma da confiança perdida no sistema.

Mas ao não publicitar outras investigações, marcando a diferença apenas com Morgado, Pinto Monteiro corre o risco de fazer precisamente o contrário: contribuir para que o público não confie em nenhuma investigação a não ser as que sejam lideradas por ela.

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