Como era a vida em Luanda

Nos últimos anos do colonialismo português, Luanda era uma cidade irresistível. A jornalista Rita Garcia escreveu um livro sobre a vida na capital angolana nesses tempos, numa viagem ao passado para mostrar cada recanto, costume e paladar de uma cidade que já só existe na memória de quem lá viveu. Excertos de <em>Luanda Como Ela Era, 1960-1975</em>, que chegou esta semana às livrarias.
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Mussulo era a praia dos ricos. «Era nesta enseada mais longe da costa que muitas das famílias mais abastadas da cidade se reuniam ao fim-de-semana. Iam lá os Macambira, os Van Zeller e até o empresário Manoel Vinhas, nas temporadas que passava em Luanda. (...) O Mussulo era então uma paisagem virgem, "uma ilha com linguetas de areia, calmas enseadas, muitos coqueiros, pescarias, canoas e tradições". Mas o sossego da elite não durou para sempre. (...) O velejador Elísio Guimarães decidiu criar uma carreira regular para tornar o Mussulo mais acessível à população. Os negros chamavam-lhe "machimbombo do mar", mas o verdadeiro nome do barco que fazia a travessia para o Mussulo era CaPosoka, expressão para "Está bonito" em umbundo. Funcionava das 7h30 às 18h00, tinha dois andares e levava duzentas pessoas de cada vez.»

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