O sector do comércio e serviços deverá perder cerca de 100 mil postos de trabalho nos próximos três anos, previu ontem o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Foi com esta estimativa que José António Silva dramatizou as dificuldades do sector empresarial em assumir compromissos em algumas das matérias em discussão na Concertação Social, como, por exemplo, a obrigatoriedade de consagrar horas para formação profissional. Em declarações ao DN, aquele dirigente explicou que as estimativas apoiam-se no exemplo da última década, em que a quota de mercado do comércio tradicional passou de 85% para 15%, com menos 20 mil estabelecimentos de comércio alimentar. "Prevemos que as grandes superfícies aumentem em cerca de 50% nos próximos três anos, tendo em conta os projectos que estão aprovados e ainda não começaram, os que estão em fase de aprovação e os que serão apresentados", disse. "Isto terá um impacto enorme, devendo baixar a quota de mercado do comércio tradicional dos 15% para os 7,5%", considerou José António Silva. .O problema é que não há estimativas de aumento de consumo que suportem a expansão desses investimentos, pelo que perdem os mais fracos. A manter-se a tendência dos últimos anos, e atendendo ao número médio de trabalhadores por cada estabelecimento comercial, a CCP estima que por cada 10 mil estabelecimentos que encerrem se perdem 30 mil trabalhadores. A piorar o cenário está ainda o fenómeno descontrolado das lojas chinesas, estimando a CCP que existam cerca de 4 mil destas lojas e 20 mil chineses, mas "só estão registados 4500 chineses na Segurança Social, o que representa uma concorrência desleal".