Os comerciantes de Almada acusam a Ecalma, empresa responsável pela gestão do trânsito e estacionamento, de um excesso de zelo que está a deixar o centro da cidade às "moscas". Os lojistas dizem que além da mão pesada ao nível das multas, mesmo que o automobilista se atrase breves minutos para além do que está pago, sucedem-se os casos de reboque de viaturas estacionadas nos parques, quando é detectada falta de pagamento. "Como é que rebocam um carro que não está a perturbar o trânsito? Somos nós os grandes prejudicados", alerta o presidente da delegação de Almada da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal, Gonçalo Paulino..É que sem alternativa para estacionar gratuitamente, os clientes estão a abandonar o centro de Almada, onde o comércio já regista prejuízos na ordem dos 20%, segundo a associação comercial. Já em 2009, após as limitações impostas ao trânsito na zona histórica, a associação estimava a quebra de 45 mil visitantes diários no centro da cidade, registando-se o encerramento de aproximadamente 30 lojas e a consequente perda de mais de cem postos de trabalho. .De lá para cá a situação agravou-se, assegura Marco Candeias, dando o exemplo do café onde trabalha, que já despediu duas pessoas. "Há cinco anos vendíamos mais de 50 sandes e hoje é raro chegarmos às 20", revela, assegurando que a crise mundial "não explica tudo, porque o Almada Forum tem cada vez mais gente", alerta, sabendo-se que a facturação aumentou 10% no último ano. .Mesmo em hora que em tempos seria de ponta, o centro de Almada parecia ontem um deserto na zona pedonal, mas onde afinal passam autocarros e metro, originando a ira dos lojistas. Pelas 13.00, os restaurantes e os cafés da Avenida D. Afonso Henriques estavam vazios. "Isto deixou de ser apetecível para as pessoas", explica Gonçalo Paulino, começando a constatar que já nem os estacionamentos na periferia têm afluência. "As pessoas não estão para pagar cada vez que querem parar o carro. Com estes constrangimentos no trânsito e a confusão nas acessibilidades as pessoas começaram a procurar outros sítios", insiste o dirigente, já com saudades dos dias em que havia défice de estacionamento para tanta procura..O problema agudizou-se recentemente com o fim do apoio dado pela autarquia às tarifas dos parques para residentes, comerciantes e funcionários.