Título, ontem, no online do DN: "Governo escolhe mulher para liderar secretas". Seguia-se a notícia: "Graça Mira Gomes, embaixadora, está indigitada secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP)." O título deu azo a muitas indignações na caixa de comentários. Então vamos lá escrutinar o título. "Governo escolhe" - confere, foi o primeiro-ministro quem escolheu. "Liderar" - sim, a secretária-geral é a patroa. "Secretas" - exato, os serviços secretos em Portugal são coordenados pelo SIRP. Do título, então, falta saber: "mulher", batia certo? Também sim, como nome próprio, Graça indiciava o género e a condição de embaixadora confirmava que era mulher. Então, porquê o escândalo? Eu tenho a minha ideia (é sobre os bitaiteiros das caixas de comentários) e ela não falhou. Alguém deu o mote à indignação: "Alguma vez escreveriam: Governo escolhe um homem para as secretas?" Respondo já: não. Não era novidade nenhuma, até hoje o SIRP só foi liderado por homens. Um dia, talvez, o DN fará o título, e até uma edição especial, assim: "Concílio escolhe Papa mulher", mas, entretanto, é o SIRP. E a condição de mulher foi para título porque à pergunta tola do comentador respondeu um vendaval de outros. "Ela vai contar tudo às amigas"... "Na vizinhança tudo se vai saber"... Na vizinhança, não sei, mas um dos problemas que a referida mulher vai ter de resolver é o de um espião, macho, ter falado demais a espião da Geórgia.