Comando de Oeiras desenvolveu papel pioneiro nas relações com África

A cooperação com a União Africana desenvolveu uma relação privilegiada do comando de Oeiras com África e constitui um dos grandes argumentos invocados em defesa da manutenção daquela estrutura na futura estrutura de comandos da NATO.
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"Somos o quartel da NATO mais virado para África e que desde 2005 que mais tem acompanhado o continente", afirmou, em declarações à Lusa, o contra-almirante Pires da Cunha, chefe de Estado-Maior do Joint Force Command Lisbon, o Comando Conjunto de Lisboa, sedeado em Oeiras. "Tornámo-nos especialistas em África", acrescentou.

Essa relação privilegiada com África é o resultado de uma das missões mais destacadas desenvolvidas pelo comando de Oeiras, o apoio prestado à União Africana (UA) em matéria de missões de apoio à paz.

O Comando de Oeiras desenvolveu uma "parceria sustentada" com a União Africana em operações de apoio à paz através do apoio à missão da UA na Somália e à criação de uma força de intervenção permanente da União Africana, algo semelhante à NATO Response Force, a força de reação rápida da Aliança, e que deverá estar inteiramente operacional em 2015.

A NATO fornece, a pedido da União Africana, apoio quanto a transporte estratégico aéreo e marítimo, bem como a nível de planeamento de missões através de elementos (oficiais de ligação e peritos) que estão no Quartel General de Addis Abeba, mas a Aliança não tem quaisquer forças no terreno. O mote desta cooperação é: "soluções africanas para problemas africanos", segundo o contra-almirante Pires da Cunha.

Esta cooperação conferiu ao comando de Oeiras um papel de primeira linha numa frente importante e de futuro para a Aliança. "Por razões de proximidade e desafio que representa para os europeus, África será domínio importante de cooperação para a Aliança Atlântica", diz o general Philippe Stoltz, comandante do JFCL.

"A NATO tem que se virar mais para África", insiste o chefe do Estado-Maior de Oeiras. "Basta ver o passado recente de conflitos ...", acrescenta, sublinhando as omissões da Aliança Atlântica em relação ao continente africano.

"Repare-se que o conceito estratégico da NATO em ponto algum fala de África", refere.

Nesse sentido, a cooperação do comando de Oeiras com a União africana está já a dar os seus frutos, considera o chefe de Estado-Maior do Comando Conjunto de Lisboa. "Creio que está a aumentar consciência para problemas africanos no seio da Aliança".

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