Os comandantes de postos da GNR e os chefes das esquadras da PSP vão receber formação da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) sobre o combate a qualquer tipo de discriminação nas polícias, segundo um relatório daquela entidade..O relatório anual de monitorização do Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação nas Forças e Serviços de Segurança, que dá conta daquilo que foi feito na PSP, GNR e SEF em 2022 e dos objetivos para este ano, avança que a IGAI prevê, em 2023, fazer formações "subordinadas ao combate à discriminação em qualquer uma das suas manifestações"..Segundo aquela entidade que fiscaliza a atividades das polícias, estas formações vão realizar-se em todo o país nas sedes de distritos junto da PSP e da GNR e são dirigidas a comandantes de postos e a chefes de esquadra, que "assumirão o compromisso de sensibilizar os seus subordinados para as aprendizagens recebidas e de dedicar particular atenção a qualquer tipo de expressão de discriminação que surja sob o seu comando"..A IGAI indica também que estas ações de formação vão ter "um cariz multidisciplinar, contando com a participação de um juiz e de um psicólogo, procurando assim evidenciar não apenas as consequências legais -- penas e disciplinares -- possíveis dos comportamentos discriminatórios, mas também as consequências emocionais para as pessoas que deles são vítimas"..No relatório, a IGAI destaca "o elevado nível" de execução do plano e de compromisso que as forças e serviços de segurança revelam ter com as finalidades deste plano de prevenção de manifestação de discriminação nas polícias..Em vigor desde março de 2020, o plano é coordenado pela IGAI, vinculando a GNR, PSP e SEF a reforçar áreas de intervenção desde o recrutamento à formação, da interação dos membros das forças de segurança com os demais cidadãos e entre si (incluindo nas redes sociais), da promoção da imagem da polícia e comunicação, aos mecanismos preventivos e de monitorização das manifestações de discriminação..O plano, que define áreas de intervenção, objetivos e medidas específicas relacionadas com o recrutamento, formação e atuação dos elementos das forças de segurança, foi elaborado pela IGAI e contou com a participação da Guarda Nacional Republicana, da Polícia de Segurança Pública e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras..Cada força de segurança tem ainda oficiais de direitos humanos que estão em funções desde abril 2021 e têm estado a trabalhar com a IGAI na monitorização do plano de prevenção de discriminação nas polícias..O relatório, agora divulgado pela IGAI, revela que a GNR está a estudar a possibilidade de efetuar um acompanhamento psicológico direcionado aos comportamentos dos guardas provisórios, no decorrer das várias fases formativas, prévias ao ingresso na instituição..A GNR dá também conta de que está analisar alterações e melhorias a aplicar às avaliações psicológicas por forma "a identificar atitudes/comportamentos/traços ou características de personalidade que indiciem afastamento dos valores inerentes ao Estado de direito e à defesa dos direitos humanos"..Por sua vez, a PSP refere no relatório que adquiriu o formulário "prova de personalidade", em conformidade quanto à identificação de "atitudes/comportamentos/traços ou características de personalidade" dos candidatos para utilização em contexto de seleção, que vai ser aplicado em todos os concursos de seleção de novos polícias a partir deste ano.