Colunex. Dos armazéns Harrods para iates e jatos de todo o mundo

Empresa de Paredes, uma das cinco melhores marcas de colchões do mundo, vai a caminho dos EUA, onde quer entrar em janeiro de 2017. Mercado hoteleiro é outra das apostas
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A Colunex, depois de ter garantido o seu lugar nos famosos armazéns londrinos Harrods, lado a lado com as cinco melhores marcas de colchões do mundo, está agora a apostar em força no mercado hoteleiro de luxo. A empresa de Recarei, concelho de Paredes, quer ainda levar os colchões made in Portugal a iates por todo o mundo e chegar, em breve, aos jatos particulares. O próximo grande passo é a entrada nos EUA, já em janeiro de 2017.

"Começámos há alguns anos a fornecer alguns dos maiores e melhores iates do mundo. Clientes extremamente exigentes para os quais estamos, muitas vezes, a enviar dez colchões por carga aérea expresso para ilhas remotas no mundo onde existem pequenos paraísos, e que agora começam a pedir-nos colchões, também, para os seus aviões particulares. E essa é uma área que nos vai ocupar algum tempo. Há respostas a dar. Como é que se anula a vibração dos motores de um avião, por exemplo?", questiona o CEO da Colunex.

Eugénio Santos assume que a "obsessão pela qualidade e a busca da excelência" são fatores que fazem parte do ADN da Colunex e, por isso, tudo o que faz responde sempre aos mais elevados padrões de exigência.

Não admira, por isso, que a marca portuguesa tenha garantido o seu lugar no Harrods. Uma presença que começou em setembro de 2015, à experiência, e que correu de tal forma bem que, um mês depois, os responsáveis do Harrods duplicaram o espaço de exposição disponível para a Colunex. E que tem ajudado a abrir novas portas, designadamente por via do reforço da marca no Médio Oriente.

A origem da empresa portuguesa remonta a 1986 e à indústria de colchões Marilau, uma homenagem do fundador, Alexandrino Nunes, à sua mulher, Maria Laura. Problemas de coluna levaram-no a inovar a produção de colchões, com aquilo que ainda hoje é a base de alguns dos produtos da empresa.

Assim nasce a marca Colunex, "a coluna do Alex".

Foi um visionário. Não só criou a primeira rede de lojas de colchões no país como criou o slogan "outro sono, outro conforto", lembrando que "na próxima década cada um de nós passará cerca de três anos a dormir". E percebeu, em 2006, que o futuro estava na internacionalização da empresa, que esta precisava de outra estrutura para isso e decidiu vendê-la. Eugénio Santos liderou, então, um management buyout (MBO) e tornou-se o presidente executivo da Colunex e o rosto da mudança.

As primeiras presenças em feiras internacionais datam de 2008, e as primeiras vendas ao exterior surgiram dois anos depois. Hoje, a Colunex tem cem trabalhadores e fatura 6,4 milhões de euros anuais, dos quais 50% nos mercados externos. Uma parcela que deverá subir para 80% ou 90% do volume de faturação em cerca de dois a três anos. França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Angola e, mais recentemente, Inglaterra são os principais mercados de destino. Além de Portugal, claro. No total, a marca especialista em camas, colchões e toda a arte de bem dormir (inclui almofadas, edredões, poltronas, sofás-camas, etc.) conta com 500 mil clientes em todo o mundo.

O negócio da hotelaria, no qual entrou em 2002, vale, para já, 20% da faturação. Mas esta é uma aposta crescente da Colunex, que pretende liderar o segmento hoteleiro de luxo em Portugal no prazo de três anos. Bairro Alto Hotel, Vidago Palace, Casa da Calçada e Vila Joya são alguns dos hotéis equipados com Colunex. A expectativa é de que esta área venha a valer, rapidamente, 35% das vendas.

Além de sete lojas em Portugal e de uma boutique que se prepara para abrir na Avenida da Boavista, no Porto, junto à Fundação Cupertino de Miranda, onde terá em exposição os mais exclusivos produtos que a Colunex tem à venda por esse mundo fora, a marca conta com uma loja própria em Angola e outra no Brasil. Para já não tem novas aberturas previstas. O investimento está centrado na entrada no mercado dos EUA, a partir de janeiro do próximo ano, e na expansão da fábrica de Recarei, onde está a investir um milhão de euros para reforçar a sua capacidade de produção em 30%, o que vai permitir aumentar o número de trabalhadores em mais 15%.

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