Clube nuclear continua a atrair novos candidatos

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A decisão tomada pela Líbia, em Dezembro de 2003, de abdicar do seu programa de acesso à bomba nuclear deixou o Irão e a Coreia do Norte como as duas grandes ameaças estatais a curto prazo nesse domínio.

Embora as chamadas entidades não estatais - como as redes terroristas - se tenham tornado na grande ameaça mundial em matéria de proliferação nuclear, ao longo dos últimos anos, os chamados "Estados párias" continuam a estar no centro das preocupações da comunidade internacional.

Contudo, há vários outros países a desenvolver políticas nucleares com fins pacíficos ou que as reconverteram - por sua própria iniciativa, como a África do Sul (há uma década) ou coercivamente, como a Líbia. Argélia, Argentina, Brasil, Roménia e alguns dos Estados surgidos da desagregação da União Soviética - Ucrânia, Bielorrússia, Casaquistão - são outros países que, além dos atrás referidos, desistiram de desenvolver programas nucleares com objectivos militares.

No total, existem actualmente em todo o mundo mais de 430 reactores nucleares a operar em mais de uma trintena de países.

Além de Israel, que nunca reconheceu oficialmente possuir armas atómicas, há outros dois países que desenvolveram e testaram bombas nucleares depois da assinatura do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) Índia e Paquistão.

Os dois países, que já estiveram várias vezes em guerra, testaram bombas nucleares em meados de 1998. Enquanto Nova Deli realizou cinco testes entre os dias 11 e 13 de Maio desse ano, depois de um primeiro a 18 de Maio de 1974, Islamabad fez apenas um e no dia 28 do mesmo mês de 1998.

Os restantes países com testes nucleares realizados até à data foram os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China. Estes países já dominavam a respectiva tecnologia quando foi escrito e assinado (em 1970) o TNP: Washington desde 1945, Moscovo a partir de 1949, Londres em 1952, Paris em 1960 e Pequim em 1964.

Japão, Coreia do Sul, Iraque e Egipto são outros países que diversas fontes, entre as quais os serviços secretos russos, garantem ter adoptado políticas de natureza nuclear nas últimas décadas.

Brasil. Este país lusófono, que se recusou a assinar o TNP por o considerar discriminatório relativamente aos "Cinco Grandes", tem vindo a desenvolver esforços nessa área desde os anos 50.

E embora garanta o uso pacífico do seu programa nuclear, media brasileiros e norte-americanos têm vindo a noticiar uma crescente preocupação dos EUA e da ONU perante a recusa de Brasília em autorizar o acesso de inspectores internacionais às suas instalações.

A Newsweek afirmava recentemente que há peritos em controlo de armamento "crescentemente alarmados com os esforços do Brasil em fazer precisamente o mesmo que o Irão usar centrifugadoras para enriquecer urânio". Mas Brasília argumenta que está a proteger segredos industriais.

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