Clinton e Sanders em duro debate antes das primárias em Nova Iorque
Os pré-candidatos democratas às presidenciais nos EUA, Hillary Clinton e Bernie Sanders, trocaram críticas e acusações na quinta-feira no mais intenso debate dos nove em que participaram no âmbito da corrida à Casa Branca.
O debate, transmitido pela CNN e pelo canal NY1, foi o último antes das primárias no estado de Nova Iorque, na próxima terça-feira, consideradas chave no processo de escolha dos candidatos democrata e republicano nas eleições presidenciais de novembro.
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Sanders e Clinton esgrimiram argumentos já utilizados noutras intervenções e em comícios recentes, mas fizeram-no num tom muito intenso, registando-se inúmeras interrupções devido a aplausos e algumas vaias por parte da audiência.
No confronto, que decorreu em Nova Iorque, os dois chegaram a gritar em várias ocasiões, quando discutiram temas como o aumento do salário mínimo ou a forma de subir as receitas da Segurança Social.
Também surgiram temas da agenda internacional, como a Síria e Israel.
Sanders, filho de emigrantes polacos judeus e firme defensor de Israel, qualificou como "desproporcionados" os ataques israelitas contra a Faixa de Gaza de há quase dois anos e que, recordou, causaram a morte de 1.500 palestinianos e ferimentos noutros dez mil.
"E quem o diz é alguém que é 100% pró-Israel", insistiu, acrescentando: "Deveríamos tratar os palestinianos com respeito e dignidade".
Clinton, por seu turno, evitou responder diretamente quando lhe perguntaram se pensava da mesma maneira, recordando apenas que Israel é um país "que está em constante ameaça terrorista".
"Isso não significa que não se devam tomar precauções" na resposta militar a esses ataques palestinianos, acrescentou.
Ambos lembraram as suas respetivas votações no Senado (Clinton em representação de Nova Iorque e Sanders de Vermont) em temas como a guerra no Iraque ou as restrições à venda de armas.
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Sanders defendeu a "revolução política" que tem vindo a promover, afirmou ser preciso "coragem" para adotar posições radicais e atirou à cara de Clinton o apoio que a ex-secretária de Estado diz ter das grandes corporações e do mundo financeiro de Wall Street.
Numa das trocas de acusações, Sanders exigiu a Clinton que dê a conhecer a transcrição de um discurso privado que proferiu para executivos do grupo financeiro Goldman Sachs para se conhecer as promessas que fez.
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Clinton, na réplica, afirmou que o fará quando Sanders der a conhecer as suas declarações de impostos passadas, o que o senador de Vermont afirmou não ter feito por falta de tempo e disse que as entregará a partir de sexta-feira.
"Este debate foi diferente porque o campo de Clinton está a ficar nervoso", afirmou Sanders, após duas horas de debate.
Clinton tem garantidos até à data 1.307 delegados para a convenção democrata que vai eleger o candidato presidencial do partido, contra 1.087 de Sanders. Qualquer um deles precisa de 2.383 delegados para assegurar a vitória.
Em Nova Iorque estão em jogo 291 delegados.
Sanders ganhou em sete dos últimos oito 'testes' eleitorais internos em distintos estados, embora Clinton continue a liderar a contagem de delegados.
O debate poder ser visto aqui:
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