Cláudia, a CN7, lidera a seleção feminina em busca do sonho do Euro 2017

Retrato de Cláudia Neto, a figura que marcou quatro golos em dois jogos e deixou Portugal perto de uma qualificação histórica
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Há quem lhe chame CN7. A comparação com Cristiano Ronaldo deve-se ao facto de também ela marcar golos decisivos e vestir a camisola 7 da seleção nacional de futebol... mas Cláudia Neto já faz história em nome próprio. É a figura da equipa feminina de Portugal, que está a um passo de se apurar, pela primeira vez, para um Campeonato da Europa de seniores. "Estamos muito felizes. Continuamos a sonhar com o Europeu mas temos de manter os pés bem assentes na terra", diz, ao DN, a heroína das duas vitórias (3-2 sobre a Finlândia e 0-1 na República da Irlanda), que apuraram a equipa das quinas para um play-off final de qualificação, contra a Roménia.

Cláudia Neto, médio do Linköpings FC (Suécia), cresceu a idolatar CR7. "Sempre foi a minha grande referência", revela. Quis o destino que viesse a marcar um dos golos mais importantes da história do futebol feminino português, no mesmo estádio onde Ronaldo se estreou pelo Real Madrid (Tallaght, em Dublin, palco de um particular contra o Shamrock Rovers, em 2009). Foi anteontem, na última jornada da qualificação para o Euro 2017. Com o golo de CN7 - aos 78", na recarga a uma grande penalidade por si batida - Portugal venceu a República da Irlanda e garantiu o 2.º lugar do grupo 2 (com 13 pontos em oito jogos), ganhando o direito a discutir com a Roménia (2.ª do grupo 3), a última das 16 vagas de apuramento para o Campeonato da Europa, que decorrerá na Holanda.

"Eu fui feliz ao marcar os golos mas o esforço foi de todas nós: as minhas colegas fizeram um trabalho incrível", afirma Cláudia, que já fora decisiva na jornada anterior, na sexta-feira, frente à Finlândia (fez um hat trick, na reviravolta de 0-2 para 3-2). "Fizemos dois grandes jogos e mostrámos mais uma vez que temos uma grande selecção, que merece estar no Europeu. É isso que todos desejamos. É um sonho", frisa a centrocampista, internacional desde 2006.

Do futsal para os grandes palcos

A futebolista, que lidera a seleção nacional feminina na busca do sonho da estreia numa grande competição de seniores, é a prova de que vale a pena perseguir os objetivos. Cláudia Neto, algarvia de 28 anos - mulher "rápida, lutadora, persistente e ambiciosa" (na sua própria descrição) - conseguiu agarrar e concretizar a ambição de ser jogadora profissional.

Em 2008, CN7 saltou da equipa de futsal do UAC Lagos para a liga espanhola de futebol. Por lá ficou seis anos, entre Prainsa Saragoça e Espanyol de Barcelona. E está há dois na liga sueca, uma das melhores do mundo. "Quando jogava futsal não pensava se podia chegar tão longe mas sempre trabalhei para isso. Sempre foi o meu objetivo ser profissional, estar nos grandes palcos. Até agora, tem corrido bem", conta.

A Suécia é, de facto, dos melhores palcos a que uma futebolista pode aspirar, onde se juntam as mais famosas jogadoras (como a brasileira Marta, do FC Rosengard, grande rival do Linköpings FC na luta pelo título). "É muito gratificante. Passei muitos anos a perseguir o objetivo de chegar a uma das melhores ligas da Europa. Todas gostamos de jogar com as melhores, como a Marta. É uma motivação-extra", garante. "Este é um campeonato com condições muito acima das do espanhol ou do português", acrescenta a médio-ofensiva, que foi eleita para o onze ideal da competição, em 2015.

Feito histórico fruto da evolução

Cláudia Neto é apenas uma das emigrantes da seleção. A experiência internacional ajudou "sem dúvida" à evolução da equipa das quinas - que só tinha somado duas vitórias na qualificação para o Euro 2013 e agora está a apenas um passo do Holanda 2017. "Este é um momento histórico, que já merecíamos pelo que temos feito para que o futebol feminino cresça em Portugal. Isto é o resultado de um trabalho de longo prazo feito pela federação e pelas jogadoras, que agora está a dar frutos", aponta a jogadora, elogiando a reformulação do campeonato nacional efetuada esta época ("há melhores condições de trabalho para as jogadoras e isso também se reflecte a nível da seleção").

A Roménia, que também procura a estreia em Europeus, é o obstáculo que falta ultrapassar - ordem e data das duas partidas do play-off (previamente agendadas para entre 17 e 25 de outubro) serão definidas por sorteio, na sexta-feira. "Serão dois jogos importantíssimos. Não conheço bem a Roménia mas parece-me uma equipa chata, experiente, que nos vai criar bastantes dificuldades. Temos de estar focadas no nosso trabalho e continuar neste caminho, que é o indicado para chegar ao Europeu", afirma Cláudia Neto.

No entanto, os sonhos da futebolista algarvia não acabam aí. "Agora o meu objetivo é ajudar a selecção a conquistar a presença no Campeonato da Europa. Depois, é poder ganhar a liga sueca. Felizmente, estou numa equipa em que posso lutar por todos os títulos" [já conquistou a Taça da Suécia, por duas vezes].

Por tudo isso, Cláudia Neto - que tem mais um ano de contrato com o Linköpings FC - não pensa, para já, em regressar em Portugal. A ligação à pátria fica-se pelas partidas da seleção e, claro, pelo rótulo de CN7: "Fico muito feliz por ser comparada ao melhor jogador do mundo. Só tenho de estar orgulhosa", remata.

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