Cineasta brasileiro Hector Babenco morre aos 70 anos

Candidato ao Oscar em 1984 com "O Beijo da Mulher Aranha", dirigiu filmes como "Pixote" ou "Carandiru".
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Hector Babenco, um dos mais importantes realizadores do cinema brasileiro, morreu ontem, aos 70 anos, na sequência de uma paragem cardíaca no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava hospitalizado para tratar de uma sinusite. O cineasta conquistou prémios relevantes no Brasil e fora do país, sendo nomeado em 1985 para o Oscar de melhor realizador por O Beijo da Mulher Aranha.

Nascido em Mar de Plata, na Argentina, numa família judaica de origem polaca e ucraniana, Babenco vivia em São Paulo desde 1969, optando pela nacionalidade brasileira oito anos depois. Deixa duas filhas, uma delas a fotógrafa Janka Babenco, que afirmou que "depois de 40 anos de cinema, o corpo dele estava cansado, a morte foi natural, básica", dois netos e a mulher Bárbara Paz, atriz da TV Globo com quem se casara em 2010.

O Beijo da Mulher Aranha, de 1985, foi o seu filme de maior repercussão internacional, valendo um Oscar de melhor ator ao norte-americano William Hurt, um dos protagonistas, ao lado de Sônia Braga e Raúl Julia, além de indicações nas categorias de argumento adaptado, melhor filme e melhor realizador - Babenco perdeu a estatueta para Sidney Pollack, realizador de África Minha". No filme, baseado no livro homónimo de Manuel Puig, um homossexual e um militante de esquerda dividem uma cela numa prisão latino-americana.

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No Brasil, o filme Pixote, a Lei do Mais Fraco, sobre um menino de rua que se alia a uma prostituta, interpretada por Marília Pêra, marcou época. Até porque Fernando Ramos que interpretava a criança do título e era, de facto, menino de rua, acabou assassinado pela polícia, sete anos depois.

Em 2003, o filme Carandiru - nome da maior penitenciária da América Latina, em São Paulo, entretanto demolida - contou a história verídica relatada em livro pelo médico Dráuzio Varela do dia a dia dos presos.

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Outros filmes, como os americanos Estranhos na Mesma Cidade, com Jack Nicholson e Meryl Streep, de 1987, e Brincando nos Campos do Senhor, de 1990, com John Lithgow e Tom Berenger, ou os brasileiros O Rei da Noite, de 1975, com Paulo José e Marília Pêra, Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de 1977, com Reginaldo Faria, ou Meu Amigo Hindu, o seu último trabalho, do ano passado, com Willem Dafoe e Selton Mello nos principais papéis, também foram sucessos de crítica.

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