Um grupo de cientistas alemães assegura ter conseguido capturar, pela primeira vez, a imagem directa de um planeta a orbitar uma estrela, fora do Sistema Solar. Até agora, os especialistas só conseguiam observar exoplanetas através de métodos indirectos - como, por exemplo, a diminuição do brilho da estrela quando o corpo passa à sua frente. .O planeta já era conhecido dos cientistas desde 1999. Segundo divulgou ontem o New Scientist, a equipa, liderada por Ralph Neuhauser, do Astrophysical Institute e do University Observatory, em Jena, na Alemanha, começou por descobrir que o objecto, embora quente, era mais frio do que uma estrela. Depois, através das imagens recolhidas entre 1999 e 2004 pelo Very Large Telescope, no Chile, o Hubble e o Subaru, no Japão, os especialistas concluíram que a distância entre os objectos não mudara. O facto de o planeta se encontrar bastante afastado da estrela - cerca de cem vezes a distância entre a Terra e o Sol -, também ajudou nas conclusões..O planeta orbita em torno da estrela GP Lupi, que se encontra a 400 anos-luz da Terra. Muito mais nova do que o Sol, a estrela tem no máximo dois milhões de anos de idade e possui uma massa correspondente a 70 por cento da massa solar.."Agora que temos uma imagem directa, é possível perceber de que matéria é feita a atmosfera deste planeta e medir a sua temperatura", comentou Ray Jayawardhana, da Universidade de Toronto, no Canadá, não envolvido no estudo. Para o especialista em formação de planetas, a descoberta "abre toda uma nova arena na ciência planetária"..Por determinar está o tamanho do novo exoplaneta. Os investigadores responsáveis pela descoberta estimam que tenha entre uma a 42 vezes as dimensões de Júpiter. Esta última hipótese leva alguns cientistas a ver com cepticismo a descoberta. Citado pela BBC, McCaughrean, da Exeter University, Reino Unido, considerou que, a ter "uma massa entre 15 a 42 vezes a de Júpiter", é mais provável que se trate de uma anã-castanha e não de um planeta extra-solar.