Na mostra, 'O corpo na arte africana', objetos como esculturas de madeira, bronze, metal e terracota estão expostos ao lado de máscaras, tecidos e 14 fotografias cedidas pelo colecionador francês Gérard Lévy, com registos que datam do período entre o fim do século XIX e o início do século XX..A museóloga e curadora da exposição, Gisele Catel, disse à Lusa que a exposição é uma forma de abrir um universo desconhecido e de riqueza cultural da África para um público preferencial de alunos de escolas públicas no Rio de Janeiro.."Para tratar a saúde de um povo, é preciso também conhecer as tradições e costumes locais. Essas obras geram encantamento e são peças de arte de tradições étnicas de grande valor cultural", explicou Catel..Na mostra, cerca de 40 etnias estão representadas por suas obras de arte, como a cultura Yorubá, o povo Tikar na República dos Camarões e os Baoule, na Costa do Marfim, e estão divididas em módulos que abordam temas como sexualidade, maternidade, decoração do corpo, objetos e máscaras. ."A Fiocruz tem 10 anos de programas em África e é o braço direito do governo brasileiro para a cooperação Sul-Sul na área da saúde. Lá no continente atuam investigadores de diversas áreas como epidemiologistas e imunologistas que tiveram convivência com a arte de países africanos por onde trabalharam", explicou Catel..Enquanto percorria o continente africano para realizar trabalhos científicos, o investigador Wilson Savino do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) deparou-se com a riqueza da arte produzida pelas culturas de etnias e começou a colecionar obras..Mais de 100 peças na exposição são da sua coleção particular. O imunologista brasileiro disse à Lusa que o primeiro contacto com o continente foi em 2001, durante uma missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a cooperação Sul-Sul.."Gosto muito da estética da arte africana. Comecei a ter prazer em adquirir peças ao longo de idas e vindas ao continente em feiras, mercados e também nos ateliês dos próprios artistas", disse..As suas viagens à África intensificaram-se a partir de 2008, especialmente para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), quando Savino passou a coordenar o programa de pós-graduação em Ciências da Saúde em Maputo numa parceria com o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique .Desde 2001, o imunologista já visitou 10 países no continente, entre os quais Burkina Faso, Moçambique, África do Sul e Zimbabué. E, desde que iniciou o programa de mestrado em Moçambique, Savino viaja pelo menos três vezes por ano para o continente.."A exposição está voltada para arte tribal subsaariana com esculturas em madeira, bonecas em argila da República dos Camarões e ainda peças de Moçambique, Mali e República do Congo", detalhou..A mostra ficará aberta até dezembro para visitas no Rio de Janeiro e poderá rodar por outras cidades brasileiras.